O anúncio de que a Alemanha e os Estados Unidos superaram suas desavenças, feito nesta quarta-feira pelos líderes dos dois países, é resultado mais de interesses mútuos do que de uma união pela reconstrução do Iraque.
Essa é a opinião de Melvyn Levitski, ex-embaixador americano no Brasil e professor de administração pública e relações internacionais da Universidade de Syracuse.
"Na campanha eleitoral da Alemanha, o chanceler Gehrard Schröder dizia que era contrário a uma ofensiva militar no Iraque, mas hoje a situação na Alemanha é outra", disse Levitski à BBC Brasil.
"Hoje o país tem que zelar por seus interesses econômicos e políticos com os Estados Unidos, uma relação que é bem diferente da que a França tem com o governo americano, que é mais de rivalidade", afirmou o ex-embaixador.
Segundo Levitski, os Estados Unidos também podem se beneficiar do resultado do encontro desta quarta-feira entre Schröder e o presidente americano, George W. Bush.
"Os Estados Unidos querem reestabelecer suas relações na Europa, e a Alemanha é um país muito importante", disse.
O ex-embaixador acredita, no entanto, que a tendência da Alemanha é não se envolver militarmente na reconstrução do Iraque.
"Eles não vão mandar tropas, mas a Alemanha tem uma boa experiência na provisão de assistência econômica e isso pode ser uma colaboração muito importante para os Estados Unidos."