O ex-ministro da Informação iraquiano Mohammed Saeed al-Sahhaf disse que Saddam Hussein cometeu erros táticos ao decidir lutar contra as forças lideradas pelos Estados Unidos e nunca considerar a possibilidade de renúncia.
Al-Sahaf, também chamado de "Ali Cômico" por causa de suas declarações pouco realistas sobre as "vitórias" iraquianas durante a guerra, disse à estação de TV Abu Dhabi que ninguém foi valente o suficiente para sugerir ao ex-ditador que ele deveria deixar o cargo.
O ex-ministro reiterou a sua crença de que o Iraque não possui qualquer arma de destruição em massa desde o início dos anos 90.
O programa transmitido pela TV é chamado "A Guerra de al-Sahhaf" e deve mostrar mais quatro entrevistas com o ex-ministro.
'Erros'
Aparentando estar tranquilo, al-Sahhaf criticou a decisão de Saddam Hussein de dividir Bagdá em quatro zonas militares dias antes de a ação militar começar, em março.
Ele disse que especialistas do setor militar haviam sido relegados a posições secundárias.
"Foi um erro cometido diretamente pelo presidente e pela liderança iraquiana", disse al-Sahhaf, acrescentando que a decisão levou a outros "erros fatais".
Al-Sahhaf disse ter preparado o seu ministério para o início da guerra ao usar rádios móveis e TV com antenas pequenas para evitar que o local se tornasse um alvo fácil.
Ele disse que a tecnologia foi baixada da internet e desenvolvida por um cientista egípcio.
Medo
Al-Sahhaf, que se tornou a face pública do regime de Saddam Hussein durante os seus últimos dias, disse que o ex-líder iraquiano nunca considerou a possibilidade de deixar o poder.
"Ninguém se atreveu a dizer para ele ir embora", afirmou.
O programa mostrou imagens de Saddam Hussein nas quais ele chama os líderes árabes de "agentes" por sugerir que ele fosse para o exílio.
A idéia, que tinha o apoio da Arábia Saudita e de alguns países do Golfo, teria sido discutida em um encontro em Doha cerca de duas semanas antes do início da guerra.
Al-Sahaf voltou a negar que Saddam Hussein possuísse armas de destruição em massa.
"Armas químicas e mísseis foram destruídos na Guerra do Golfo de 1991", afirmou.