O ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon, foi criticado no relatório produzido por uma comissão parlamentar que investiga a conduta das autoridades de inteligência e segurança durante a preparação para a guerra do Iraque.
No documento publicado nesta quinta-feira, a Comissão de Inteligência e Segurança disse ter ficado "perturbada" com o fato de Hoon não tê-la informado sobre duas cartas de funcionários que criticavam o dossiê sobre as supostas armas de destruição em massa iraquianas.
Os parlamentares disseram que a atitude de Hoon foi "improdutiva e potencialmente enganosa".
As críticas constam de um dos principais relatórios sobre a conduta do governo britânico ao defender uma intervenção militar no Iraque.
Apesar das críticas a Hoon e a parte do processo de divulgação do dossiê sobre as armas, o documento da comissão parlamentar diz que não houve interferência política do então diretor de comunicação do governo, Alaistair Campbell, e de "mais ninguém" na publicação do dossiê pela Comissão Conjunta de Inteligência.
Os parlamentares também afirmaram que dossiê não foi "manipulado" pelo governo britânico – uma acusação que surgiu em um reportagem da BBC realizada pelo jornalista Andrew Gilligan.
'Inútil'
Apesar de não ter chegado à conclusão de que o dossiê foi “manipulado”, o relatório parlamentar diz que a inclusão da alegação de que o Iraque poderia lançar um ataque com armas de destruição em massa em apenas 45 minutos foi "inútil para a compreensão desse assunto".
A informação de que as armas poderiam ser usadas em 45 minutos foi uma das mais controversas do dossiê e, de acordo com informações do próprio governo, baseou-se em uma única fonte.
O documento afirma ainda que o dossiê não deixou claro que o governo de Saddam Hussein não era considerado "uma ameaça momentânea ou iminente para a Grã-Bretanha".
Ele diz ainda que as incertezas entre a comunidade de inteligência britânica sobre a capacidade de o Iraque produzir armas químicas e biológicas também deveriam ter sido mencionadas.
As críticas a Hoon, que foi duramente atacado pouco depois da morte do perito em armamentos David Kelly, chegaram a levar o líder do Partido Conservador, Iain Duncan Smith, a exigir a renúncia ou demissão.
No entanto, o ministro do Exterior britânico, Jack Straw, disse que Hoon tinha o apoio de Tony Blair e afirmou que "não há dúvidas de que ele deve e vai continuar no cargo".
A presidente da Comissão de Inteligência, Ann Taylor, afirmou que o relatório não exige a renúncia do ministro Hoon, mas disse que ele deveria ter apresentado "voluntariamente" as informações de que funcionários expressaram por escrito dúvidas sobre o dossiê.