A arquidiocese da Igreja Católica em Boston, nos Estados Unidos, teria concordado em pagar US$ 85 mi para mais de 500 pessoas que dizem ter sido abusadas sexualmente por padres da arquidiocese.
A informação foi dada por uma firma legal que representa algumas das supostas vítimas. Se confirmado, o acordo representará a maior quantia já paga por uma diocese americana para encerrar processos relacionados à acusações de abusos.
A notícia do acordo ocorre depois de meses de negociações entre os representantes da igreja e os advogados das vítimas – que dizem ter sido abusadas sexualmente por padres nas últimas seis décadas.
A diocese não confirmou o acordo e disse à BBC na terça-feira que as negociações continuam.
Pelo acordo, as vítimas poderão receber indenizações que variam de US$ 80 mil a US$ 300 mil, segundo um advogado da empresa Greenberg Traurig, que representa cerca de metade das pessoas que apresentaram queixa.
O suposto avanço ocorre mais de dois meses depois que o arcebispo Sean Patrick O'Malley foi nomeado como chefe da quarta maior diocese da igreja nos Estados Unidos.
Indignação
O predecessor de O'Malley, Cardinal Law, renunciou em meio à indignação pública causada pelas alegações de que ele teria apenas transferido padres acusados de pedofilia, em vez de confrontar as acusações.
O novo arcebispo ganhou renome ao conseguir conter casos de abusos sexuais em outras dioceses.
Ele disse, em outras ocasiões, que a quantidade de dinheiro necessária para encerrar todos os casos é mesmo exorbitante, masa afirmou que nenhuma quantia poderia compensar pelos danos causados pelo abuso.
As negociações entre as partes tiveram início após a suspensão temporária de uma decisão judicial sobre o caso.
Para que o acordo seja mesmo válido, ele terá de ser aceito por pelo menos 95% das vítimas, que terão, cada uma, 30 dias para decidir.
No ano passado, a igreja chegou a um acordo de US$ 10 mi com 86 vítimas de John Geoghan, um padre da área de Boston, cuja condenação por abuso sexual trouxe todo o escândalo à tona.