O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou nesta segunda-feira de manhã ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), que acontece em Cancún, no México, a partir desta quarta-feira.
De acordo com o Itamaraty, que divulgou a informação, o presidente americano sublinhou a importância da reunião para o futuro do comércio internacional e manifestou sua satisfação com o acordo fechado no dia 30 de agosto sobre medicamentos.
Bush disse ainda que "valoriza o papel do Brasil na OMC" e que o representante especial para Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, vai procurar o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em Cancún "para que os dois países trabalhem juntos na promoção de um consenso".
Lula disse que Amorim está sendo instruído a trabalhar "ativamente" pelo consenso na reunião e afirmou que o Brasil "quer preservar e fortalecer a OMC e o sistema multilateral de comércio".
'Retrocesso'
Analistas temem que a falta de entendimento sobre a questão agrícola na reunião de Cancún – o setor que mais interessa ao Brasil – pode representar um retrocesso na questão do comércio internacional.
De acordo com o relato do Itamaraty, Lula disse a Bush que, sem avanços significativos na negociação agrícola, não será possível avançar nas demais áreas.
O presidente lembrou que o texto preparado pelo presidente do Conselho da OMC não satisfaz o Brasil na área de agricultura.
Por isso o país preparou, junto com outros países em desenvolvimento, uma outra proposta. Esse grupo, chamado de G-20, representa países onde vivem 65% da população rural e cerca de metade da população mundial.
Lula também disse ao presidente americano que o Brasil considera a conferência de Cancún "uma oportunidade valiosa para orientar os futuros trabalhos da Rodada de Doha", que começou a ser negociada em novembro de 2001 e deve ser concluída em janeiro de 2005.