A saída do primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, significaria confusão para o futuro do plano de paz do Oriente Médio.
O plano já é um documento que não está recebendo muita atenção.
Os palestinos têm falhado na repressão aos grupos militantes.
Israel iniciou um confronto aberto com o Hamas, inclusive contra as suas lideranças civis. Os militantes decretaram o fim do cessar-fogo.
Se Mahmoud Abbas, conhecido como Abu Mazen, deixar o gabinete, a figura palestina mais identificada com o plano de paz não estará mais lá para defendê-lo, mesmo se um sucessor vier para seguir a sua política.
As conseqüências poderiam ser as seguintes:
* Israel poderia decidir expulsar Yasser Arafat. O ministro da Defesa de Israel fez essa defesa antes de Abbas submeter a sua renúncia. Outros ministros o dariam apoio
* Arafat talvez reapareça como uma figura a ser considerada. Israel, no entanto, não vai aceitar negociar com ele ou com alguém visto como seu porta-voz no posto de premiê
* Os Estados Unidos, com suas atenções voltadas para o Iraque, podem se afastar do processo de paz ou pelo menos reduzir seu envolvimento na empreitada
* Outros palestinos podem decidir se juntar aos grupos militantes na guerra contra Israel, que deve continuar
* A construção do muro/cerca em torno da Cisjordânia vai continuar
Os problemas do plano de paz
A disputa por poderes entre Arafat e Abbas mostra dois pontos fracos do processo de paz patrocinado pelos Estados Unidos.
O primeiro é que os palestinos não estão unidos. O plano, como uma vez previsto por Israel e pelo quarteto que o formulou (Estados Unidos, União Européia, Rússia e Nações Unidas), era que Arafat se aposentaria, viraria um líder figurativo e deixaria o trabalho para Abbas.
Arafat, no entanto, não está disposto a se aposentar. Ele manteve o controle de uma boa parte das forças de segurança, sem a qual não haverá repressão contra os grupos militantes.
Isso significa que não há uma única fonte palestina de poder para negociar com Israel.
O segundo ponto fraco é que o plano não poderia lidar com os grupos militantes.
É verdade que ele chamaram um cessar-fogo, mas não há trégua dos militantes previstas no processo de paz.
Em vez disso, a Autoridade Palestina deveria desmantelar "a infra-estrutura terrorista e as suas capacidades", coisa que não fez, preferindo prolongar o cessar-fogo.
Israel não ficou feliz com isso e continuou a mirar nos ativistas do Hamas. Isso fez o Hamas retaliar, como no atentado contra um ônibus em Jerusalém, detonando de novo o ciclo de violência.
A política de Israel agora virou guerrear contra o Hamas e outros grupos militantes até a vitória final. O Hamas, provavelmente, vai tentar revidar.