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Violência matou 1,5 mil fazendeiros brancos após apartheid

A Comissão Sul-Africana de Direitos Humanos publicou um documento denunciando que desde o fim do regime de apartheid, há dez anos, 1,5 mil fazendeiros brancos foram assassinados no país.

O documento mostra também que já há cultura da violência contra trabalhadores negros, combinada aos altos níveis de alcoolismo e ao baixo nível de escolaridade entre a comunidade negra.

O relatório culpa o governo por parte dos problemas, por causa da lentidão no programa de reforma agrária e no combate ao abismo existente entre os negros e os brancos nas comunidades rurais do país.

A Comissão de Direitos Humanos concluiu que esse abismo é a causa principal do aumento da violência contra os brancos, mas os fazendeiros temem que o racismo possa ser também um fator que esteja impulsionando a violência.

Violência

A correspondente da BBC em Joanesburgo Hilary Anderson disse que, no momento, os fazendeiros brancos formam um dos grupos mais vulneráveis à violência.

De acordo com a correspondente, ser fazendeiro branco na África do Sul é, atualmente, mais perigoso do que no vizinho Zimbábue, onde o processo de reforma agrária criado pelo governo de Robert Mugabe desapropriou muitas famílias brancas.

A maioria absoluta das terras sul-africanas está nas mãos dos fazendeiros brancos e muitos agricultores negros estão vivendo em absoluto estado de pobreza.

A comissão também acusou os fazendeiros brancos de não cumprirem leis trabalhistas, afirmando que ainda há casos de trabalho infantil nas fazendas.

"Em algumas províncias.... incidentes como roubos são naturais e freqüentes, mostrando a existência de uma cultura de violência, que vem sendo perpetuada por um meio ambiente de impunidade", disse o documento.