O juiz Richard May, que preside o Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Iugoslávia, em Haia, rejeitou nesta terça-feira um pedido de liberdade apresentado pelo ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.
Milosevic, que é acusado de crimes de guerra, pediu para ser solto por dois anos para que pudesse preparar a sua defesa no julgamento. O juiz, no entanto, afirmou que uma pausa tão longa está "fora de questão".
Os promotores do caso, cujas audiências começaram em fevereiro de 2002, já convocaram 230 testemunhas e devem encerrar sua acusação até o final deste ano.
May afirmou que os três juízes do caso devem determinar "no devido momento" quanto tempo o ex-líder sérvio terá para preparar sua defesa - embora esteja certo que ele receberá o mesmo número de dias de julgamento e testemunhas que a promotoria.
Sozinho
Milosevic, de 62 anos, afirma não reconhecer a legitimidade da corte da ONU para julgá-lo e tem apresentado sozinho, sem advogados, a sua defesa.
"A quantidade mais modesta de tempo necessário para preparar a minha defesa são dois anos", declarou ao tribunal.
Ele acrescentou que deveria ser solto parra que pudesse ter "acesso livre e sem supervisão a fontes e documentos" para preparar o seu caso.
"Decidimos que o acusado não pode ser solto provisoriamente e não há razão para que mudemos essa decisão agora", respondeu o juiz britânico.
Milosevic responde a mais de 60 acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra durante os conflitos da Croácia, da Bósnia e de Kosovo, nos anos 90.
Ele promete convocar testemunhas do alto escalão durante a sua defesa, entre elas o presidente francês, Jacques Chirac, e o ex-presidente americano Bill Clinton.