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General argentino reconhece torturas na ditadura

Um general da reserva argentino admitiu durante uma entrevista a um canal de TV francês a prática de torturas durante o regime militar do país, entre 1976 e 1983.

O general Ramón Díaz Bessone seria o primeiro oficial argentino de alto escalão nos tempos da ditadura a admitir que as forças de segurança argentinas atuaram fora da lei naquela época.

Na entrevista, concedida ao Canal Plus, Bessone disse que menos de 7 mil pessoas foram mortas durante o regime militar.

O governo argentino estima que essa cifra é de cerca de 18 mil.

Ele também tentou justificar o uso da tortura.

“Como se pode obter informação de um detido se não se aperta ele, se você não tortura?”, disse Díaz Bessone.

Lista de extradição

O militar argentino também tentou justificar a linha dura para lidar com a oposição no país.

Segundo o general, os opositores do regime não eram mantidos presos porque eles poderiam ser libertados assim que um governo democrático voltasse ao poder, e assim retomar a luta armada.

“E se os prendêssemos, o que aconteceria?”, perguntou o general. “Se viesse um governo constitucional os colocaria outra vez em liberdade.”

O ex-presidente argentino Carlos Menem perdoou Ramón Díaz Bessone pelos seus crimes cometidos durante o regime militar.

No entanto, o general foi incluído na lista de militares cuja extradição foi solicitada pela Justiça espanhola, para julgamento por suas violações contra cidadãos espanhóis durante o regime militar argentino.

Em 20 de agosto, o Parlamento argentino revogou a chamada Lei do Perdão, que concedia anistia aos militares pelos seus crimes.

Bessone admitiu que é difícil para os argentinos esquecerem os crimes cometidos pelos militares de 1976 a 1983.

“Como se tratou de uma guerra interna, a reconciliação é difícil de conseguir”, disse.