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Multidão indignada acompanha enterro de vítimas no Iraque

Uma multidão indignada está concentrada nas proximidades da mesquita da "cidade sagrada" de Najaf, no Iraque, onde um carro-bomba explodiu na sexta-feira, matando 87 pessoas e deixando 200 feridas, para acompanhar o enterro das vítimas.

Os xiitas reunidos no local da explosão entoam palavras de ordem contra Saddam Hussein e contra os americanos.

"Eles estão culpando os simpatizantes de Saddam Hussein pelo ataque, mas também estão começando a acusar cada vez mais veementemente os americanos pela falta de segurança", afirma a correspondente da BBC no local, Valerie Jones.

As autoridades iraquianas confirmaram que o número de mortos no atentado, entre eles um dos principais líderes xiitas o aiatolá Mohammed Baqr al-Hakim, totalizou 87 pessoas.

"Ao todo, acreditamos que mais de 200 tenham ficado feridos", afirmou Isa Muhammad al-Wailee, médico legista de Najaf.

TV do Líbano

Um representante dos xiitas disse a um canal de TV libanês que o número de mortos atingiu 126.

A comunidade internacional criticou duramente o atentado.

Nenhum grupo se responsabilizou ainda pela explosão do carro-bomba, considerado um dos piores atentados no Oriente Médio nos últimos 20 anos.

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, pediu calma aos iraquianos logo depois do ataque, enquanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o seu país iria perseguir os responsáveis.

O governo do Irã, que deu asilo ao aiatolá Hakim nos últimos 20 anos, também criticou o ataque, mas culpou – em última instância – as forças de ocupação lideradas pelos americanos por não terem sido capazes de manter a segurança no Iraque.

As suspeitas dos xiitas sobre a autoria do atentado recaem sobre simpatizantes do presidente iraquiano deposto, Saddam Hussein, que teriam detonado a bomba para desestabilizar a situação política do país.

Essa foi o terceiro explosivo de alta destruição a explodir em Bagdá neste mês, pouco mais de uma semana depois de outro atentado destruir parte do prédio da ONU na cidade, matando o representante especial da organização no país, Sérgio Vieira de Mello, e outras 22 pessoas.

Suspeitas

O porta-voz de Kofi Annan condenou o ataque "da forma mais veemente possível".

"Nos próximos difíceis dias, o secretário-geral faz um apelo a todos os grupos políticos e religiosos no Iraque para que sejam evitados novos atos de violência e vingança."

O presidente Bush classificou o atentado como "um sangrento ato de terrorismo que tinha o aiatolá Hakim como alvo, em um dos locais mais sagrados do islamismo xiita, e contra as esperanças de liberdade, paz e reconciliação do povo iraquiano".

O administrador americano do Iraque, Paul Bremer, também condenou o ataque, dizendo que "os inimigos do novo Iraque não se detêm diante de nada".

O Irã e o Conselho de Governo do Iraque, nomeado pelos Estados Unidos, declararam luto oficial de três dias pelo aiatolá Hakim.

A Rússia pediu uma participação maior da ONU no Iraque para conter a crescente onda de violência.

A bomba explodiu na mesquita pouco depois de Hakim concluir um sermão defendendo a união dos iraquianos.

Jornalistas no país afirmam haver uma disputa de poder interna entre os clérigos conhecidos como Hawza – a cúpula religiosa xiita de Najaf.

A explosão foi tão violenta que abriu uma cratera de 1,5 metro de profundidade no chão e destruiu pelo menos dois prédios do outro lado da rua.

Al-Hakim dirigia a Assembléia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque. Ele havia recentemente deixado o exílio no Irã e retornado a Najaf.

O atentado aconteceu na saída do Túmulo de Ali, um dos locais religiosos mais sagrados para os muçulmanos xiitas. A explosão ocorreu num momento de grande movimento de pessoas, após as tradicionais rezas da hora do almoço na sexta-feira.