Dentro em breve, o feijão poderá comparecer de terninho e gravata às mais finas refeições.
Todos nós amamos feijão. Há mais de 5 mil anos. O feijão é, por assim dizer, nosso feijão com arroz. É até mesmo, pura e simplesmente, o feijão de todos nós. E quando eu digo todos nós não estou me referindo apenas aos brasileiros.
Os americanos e ingleses também gostam de feijão, embora com uma pronunciada tendência para o feijão branco e preparado no forno com molho de tomate, à maneira de Boston, como dizem.
A feijoada portuguesa é um fato a ser constatado e consumido. Os franceses curtem seu cassoulet. Pergunte a um mexicano se ele aprecia frijoles requentados ou não.
O feijão, no entanto, sabemos, tem suas desvantagens. Quase todas a ver com situações que viram piadas grossas, embora engraçadas. Sim, por que negar? Eu estou falando do fato de que o feijão provoca a flatulência nas pessoas. É, flatulência. Soltar "pum", para ser delicado e infantil.
Mas isso tudo logo, logo será coisa do passado para vir a se juntar com o café descafeinado e os refrigerantes sem calorias.
O phaseolus vulgaris, para dar seu empedernido nome latino, deixará de lado a sua porção piada e poderá ser servido em qualquer mesa sem susto ou esforço para manter uma compostura digna numa hora, digamos assim, beirando a indigna. Passará a ser inodoro e inaudível nas horas difíceis.
Muitos não sabem que o feijão, segundo a medicina folclórica, é usado para tratar diarréia, eczema, soluços, reumatismo e até ciática. Seus efeitos colaterais é que o afastaram não só da medicina alternativa como das mesas ditas finas.
Isso vai acabar graças a um novo tratamento a ser dispensado a este nosso amigo, o feijão.
Cientistas andaram deixando o feijão de molho por 48 horas a fim de remover a fibra solúvel encontrada na maior parte dos compostos químicos conhecidos como alfa-galactocídios, responsáveis pelos flatos, pestilentos ou não.
Depois então moeram e deixaram a farinha resultante secar. Após 96 horas, a fermentação removeu 95% do elemento criador do caso em pauta.
Segundo os cientistas, assim é que se resolve o problema dos gases emitidos pelo feijão: transformando-o numa farinha e dela fazendo uma papa. O que prova que cientista não entende nada de feijão.
Isso que eles bolaram é uma nova espécie de farinha. Que a gente deve botar em cima do bom e velho feijão.