A explosão de um carro-bomba perto de uma mesquita na cidade xiita de Najaf, região central do Iraque, matou mais de 80 pessoas, de acordo com o relato de um médico iraquiano ao repórter da BBC no Iraque.
Um dos mais importantes líderes xiitas do país, o aiatolá Mohammad Baqer al-Hakim, que havia concluído um sermão defendo a união dos iraquianos minutos antes, também morreu no ataque. Há relatos de que 200 pessoas ficaram feridas.
Al-Hakim dirigia a Assembléia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque. Ele havia recentemente deixado o exílio no Irã e retornado a Najaf.
A explosão ocorreu num momento de grande movimento de pessoas, após as tradicionais rezas da hora do almoço na sexta-feira.
O atentado aconteceu na saída do Túmulo de Ali, um dos locais religiosos mais sagrados para os muçulmanos xiitas.
Até o momento, nenhum grupo admitiu a autoria do atentado.
Soterrados
A correspondente da BBC em Bagdá, Valerie Jones, disse que parte da entrada da mesquita desabou sobre a multidão. Muitas pessoas estariam soterradas sob os escombros.
Jornalistas no país afirmam haver uma disputa de poder interna entre os clérigos conhecidos como Hawza – a cúpula religiosa xiita de Najaf.
Líderes muçulmanos que defendem a cooperação com as tropas dos Estados Unidos se opõem aos que pregam a resistência armada contra os americanos.
O administrador dos Estados Unidos no Iraque, Paul Bremer, afirmou que o novo ataque é prova de que nada detém os inimigos do novo Iraque, capazes de matar pessoas inocentes e destruir um lugar sagrado do Islã.
No domingo, três pessoas morreram na cidade numa tentativa de assassinato de um líder religioso.
O grão-aiatolá Seyed Mohammed Said al-Hakim sofreu apenas escoriações na explosão em seu escritório, mas dois de seus guarda-costas e um motorista morreram.
Outros xiitas iraquianos disseram que agentes do antigo regime de Saddam Hussein seriam os responsáveis pela ação contra Al-Hakim.