http://www.bbcbrasil.com

Coréia do Sul anuncia forte aumento de orçamento militar

A Coréia do Sul está planejando aumentar suas despesas militares em 8% no próximo ano, quase quatro vezes mais do que o aumento dos demais gastos.

O reforço eleva o orçamento militar para US$ 16 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões), o quarto maior na Ásia, depois de Japão, China e Índia, em um momento de ruídos agressivos da Coréia do Norte.

Conversações que incluem as duas Coréias, Estados Unidos, China, Japão e Rússia estão em andamento para discutir o arsenal nuclear da Coréia do Norte.

Mas as negociações foram interrompidas na noite de quinta-feira sem progressos, e Seul permanece preocupada que o mau estado da economia da Coréia do Norte pode persuadir Pyongyang a começar ação militar.

Estagnação

A Coréia do Norte era mais rica do que a do Sul, antes que o próprio governo sul-coreano acelerasse seu crescimento por meio de pesados investimentos industriais e tecnológicos.

Estagnação no norte e o colapso da União Soviética, bem como forte redução de ajuda da China, significam que Pyongyang controla uma economia que é avaliada como sendo 16 vezes inferior à da Coréia do Sul, com boa parte da população dependendo de ajuda para evitar a fome.

O controle rígido de informação no norte também apresenta uma ameaça, na avaliação de alguns observadores, pois a abertura da economia segundo o modelo chinês revelariam o quanto os norte-coreanos estão atrás do resto do mundo.

A nova estimativa do orçamento da Coréia do Sul foi anunciada em um rascunho de orçamento do Ministério do Orçamento, nesta sexta-feira.

Mudanças

As despesas globais do orçamento chegam a US$ 99,7 bilhões (quase R$ 300 bilhões), com um aumento de 2,1% em relação às projeções para 2003.

Os novos recursos para despesas militares ficam, na verdade, abaixo do previsto inicialmente.

O Ministério da Defesa disse no início do ano que queriam um aumento de 25% das despesas militares.

O aumento de gastos coincide com um momento em que os Estados Unidos - que tem 35 mil soldados na linha de frente e muitos funcionários de apoio na Coréia do Sul - estão planejando reorganizar sua presença na Zona Desmilitarizada, que separa as duas Coréias desde a trégua que terminou a guerra da Coréia, 1950-53.

O Pentágono planeja gastar US$ 11 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões) com a reestruturação nos próximos quatro anos.