Um relatório do governo peruano, divulgado nesta quinta-feira, sugere que 69 mil pessoas morreram ou desapareceram entre 1980 e 2000, na guerra civil vivida pelo Peru depois da revolta de grupos de esquerda.
O número é bastante superior ao estimado anteriormente de cerca de 40 mil vítimas.
O documento é resultado de uma investigação de dois anos, realizada pela Comissão da Verdade e da Reconciliação do país.
De acordo com o relatório, a maior parte das vítimas de mortes e desaparecimentos ocorreu entre a população indígena do país, que se encontrou no meio da batalha entre tropas do governo e dos grupos rebeldes, como o Sendero Luminoso.
A comissão coletou 17 mil testemunhos de pessoas afetadas pela violência e afirma que agora tentará ajudar os peruanos a superar os sofrimentos de seu passado.
Durante uma cerimônia para a divulgação do relatório, o presidente Toledo - que presidiu a comissão, disse que o Peru precisa se confrontar com uma época de vergonha nacional.
Evidências
O relatório possui nove volumes de evidências e outras informações sobre a guerra civil no Peru, considerada uma das mais sangrentas já ocorridas na América Latina.
Zuniga, que tem 30 anos e mora na capital, Lima, contou que a população da capital peruana não tinha idéia da gravidade da guerra civil, até ela atingir a capital.
"Eu tinha apenas 15 anos. Nós não prestávamos atenção no que ocorria no campo, não sabíamos que tantos inocentes estavam morrendo", relatou.
Segundo Hannah Hennessey, correspondente da BBC em Lima, a investigação culpa o governo pela maior parte da violência, e não os grupos rebeldes.
Os dados apontam violações sérias dos direitos humanos, que serão entregues diretamente a promotores.
Generais hoje aposentados, que atuavam na época dos confrontos, criticaram fortemente o documento, mesmo antes de ele ser divulgado.
Os conflitos podem também ter causado prejuízos de até US$ 25 bilhões (R$ 74 bilhões) à economia peruana.