A oposição democrata dos Estados Unidos fez duras críticas ao discurso do presidente George W. Bush sobre o Iraque.
Bush disse nesta terça-feira que não haverá nenhum "recuo" dos Estados Unidos no Iraque ou na chamada guerra contra o terrorismo, mesmo com o número de soldados americanos mortos no país subindo.
O discurso foi feito justamente no dia em que o número de americanos mortos no Iraque desde o fim dos principais conflitos chegou a 139 – ultrapassando o número de mortos durante a guerra.
No mais recente incidente, um soldado morreu e doi ficaram feridos em um ataque na cidade de Hamariya, cerca de 25 quilômetros a noroeste de Bagdá.
"Nenhuma nação pode ficar neutra no conflito entre civilização e caos", afirmou o presidente americano a uma platéia de veteranos militares em St. Louis, Missouri.
Cientes do crescente desconforto da população com a situação no Iraque, os democratas aproveitaram as declarações de Bush para lançar um de seus ataques mais vigorosos desde o início da crise envolvendo o país.
'Cobertura de açúcar'
A pouco mais de um ano das eleições presidenciais, um possível candidato democrata à Casa Branca, Bob Graham, disse que as palvras de Bush eram "a mesma velha retórica vazia, a mesma velha cobertura de açúcar (que esconde) uma situação muito ruim".
Outro pré-candidato, Dick Gephardt - que apoiou a guerra abertamente - disse achar "incompreensível" o governo Bush não estar se esforçando mais dividir o ônus da pacificação do país com outros países. Gephardt deverá concorerr com Graham nas primários do partido.
Além do número de mortes, o custo financeiro da reconstrução também poderá vir a depor contra o presidente americano.
Em entrevista ao jornal americano The Washington Post, o administrador americano para o Iraque, Paul Bremer, disse que será necessário investir "dezenas de bilhões de dólares" para reconstruir o Iraque.
Segundo Bremer, apenas para colocar a rede elétrica em ordem, serão necessários US$ 2 bilhões. Distribuir água tratada para todos os iraquianos custaria outros US$ 16 bilhões.
Mas talvez ainda mais preocupante para Bush seja o fato de que pesquisas recentes mostram que a ocupação americana no Iraque astá perdendo apoio público.
No discurso desta terça-feira, Bush usou os exemplos da Alemanha e do Japão do pós-guerra, lembrando que a reconstrução desses países havia levado anos, não meses, mas que o esforço tinha valido a pena.
Bush também lembrou que dos 55 líderes iraquianos procurados pelos Estados Unidos, 42 já foram mortos ou capturados.