Grupos rebeldes da Libéria assinaram nesta segunda-feira, em Gana, um acordo de paz para pôr fim à guerra civil de 14 anos no país.
O documento prevê a instalação de um governo provisório que deve ter alguns de seus ministérios ocupados por rebeldes. As facções poderão, segundo negociadores em Gana, iniciar a nomeação já na terça-feira.
A solução do conflito ficou mais próxima quando o presidente Charles Taylor renunciou ao cargo e se exilou depois de intensa pressão internacional.
Segundo um correspondente da BBC, a notícia provocou uma onda cautelosa de otimismo sobre o fim dos conflitos.
Um negociador da África Ocidental, Mohammed Ibn Chambas, disse à BBC que todas as questões haviam sido resolvidas em conversas que terminaram nas primeiras horas do dia.
Governo provisório
Pelo acordo, o atual presidente, Moses Blah – que assumiu após a renúncia de Taylor – deverá deixar o poder até o dia 14 de outubro.
O governo provisório irá, então, assumir e administrar o país até janeiro de 2006, quando serão realizadas eleições.
Nenhum dos dois principais postos – o de presidente e vice-presidente – irão para o atual governo ou para os dois grupos rebeldes, Lurd e Model.
Nós próximos dias, os dois lados deverão escolher os nomes para essas posições com base em listas enviadas por partidos políticos e grupos civis.
Os postos no gabinete interino e no Parlamento serão divididos entre os representantes do atual governo, os rebeldes, outros partidos políticos e sociedade civil.
Países da África Ocidental – que ajudaram no estabelecimento do acordo – deverão enviar forças para monitorar o cessar-fogo e, depois, para fazer parte de uma força internacional de estabilização.
Normalidade
Enquanto isso, a vida na capital da Libéria, Monróvia, está lentamente retornando ao normal depois que o principal grupo rebelde se retirou da área portuária na semana passada.
O correspondente da BBC Alastair Leithead, que está na cidade, diz que mais lojas estão abrindo, ônibus e táxis começam a retornar às ruas e comerciantes começam a reparar o estrago da guerra.
Um navio carregando ajuda à Libéria naufragou numa tempestade a caminho da vizinha Serra Leoa, de acordo com agência humanitária World Vision.
Todas as 22 pessoas a bordo foram resgatadas, mas a maioria do carregamento de ajuda humanitária avaliado em US$ 100 mil (aproximadamente R$ 300 mil) foi perdida.
Ajuda ideal
Dezenas de pessoas procuram emprego no porto, recentemente abandonado pelos rebeldes do Lurd.
"Estamos vendo a paz chegar ao nosso país", disse Johnson Saryee, um motorista de caminhão desempregado.
"Hoje está melhor do que ontem, os homens armados estão indo embora. A situação está mudando gradualmente."
Os lados opostos nas conversas concordaram previamente em ajudar organizações humanitárias a ter acesso irrestrito a todas as regiões do país.
No sábado, o grupo ameaçou recomeçar a batalha se não conseguisse dois postos no governo.
Dezenas de milhares de liberianos estão desesperadamente precisando de comida depois de semanas de luta entre o governo e as forças rebeldes.
A força de paz Ecomil, da África Ocidental, está no país há duas semanas.
No domingo, mais tropas nigerianas chegaram, e a Ecomil expandiu a área sob seu controle perto de Monróvia.