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Rebeldes da Libéria assinam acordo de paz

Grupos rebeldes da Libéria assinaram nesta segunda-feira, em Gana, um acordo de paz para pôr fim à guerra civil no país.

O documento prevê a instalação de um governo provisório que deve ter alguns de seus ministérios ocupados por rebeldes.

A solução do conflito ficou mais próxima quando o presidente Charles Taylor renunciou ao cargo e se exilou depois de intensa pressão internacional.

Segundo um correspondente da BBC, a notícia provocou uma onda cautelosa de otimismo sobre o fim dos conflitos.

Um negociador da África Ocidental, Mohammed Ibn Chambas, disse à BBC que todas as questões haviam sido resolvidas em conversas que terminaram nas primeiras horas do dia.

Normalidade

Enquanto isso, a vida na capital da Libéria, Monróvia, está lentamente retornando ao normal depois que o principal grupo rebelde se retirou da área portuária na semana passada.

O correspondente da BBC Alastair Leithead, que está na cidade, diz que mais lojas estão abrindo, ônibus e táxis começam a retornar às ruas e comerciantes começam a reparar o estrago da guerra.

Um navio carregando ajuda à Libéria naufragou numa tempestade a caminho da vizinha Serra Leoa, de acordo com agência humanitária World Vision.

Todas as 22 pessoas a bordo foram resgatadas, mas a maioria do carregamento de ajuda humanitária avaliado em US$ 100 mil (aproximadamente R$ 300 mil) foi perdida.

Um entendimento, que levou ao acordo final, foi atingido no domingo, quando mediadores da África Ocidental ameaçaram interromper as conversas em Gana caso o grupo Liberianos Unidos para Reconciliação e Democracia (Lurd) não aceitasse o acordo.

O segundo grupo rebelde, o Movimento para Democracia na Libéria (Model), também apóia o acordo, diz Chambas.

As negociações visavam estabelecer um governo transitório que vai assumir em outubro e levar o país a eleições democráticas em dois anos.

Ajuda ideal

Dezenas de pessoas procuram emprego no porto, recentemente abandonado pelos rebeldes do Lurd.

"Estamos vendo a paz chegar ao nosso país", disse Johnson Saryee, um motorista de caminhão desempregado.

"Hoje está melhor do que ontem, os homens armados estão indo embora. A situação está mudando gradualmente."

Os lados opostos nas conversas concordaram previamente em ajudar organizações humanitárias a ter acesso irrestrito a todas as regiões do país.

Kabineh Ja'neh, da delegação do Lurd, disse que o grupo não iria pressionar pela vice-presidência, mas que ficou combinado que o posto poderia ser disputado por qualquer um.

Um dos delegados do Lurd, George Dweh, disse: "Nós estamos fazendo isso para mostrar nosso compromisso com a resolução antecipada da crise liberiana".

"Queremos provar para o mundo inteiro que tudo isso não foi apenas uma demonstração de que o Lurd quer o poder."

No sábado, o grupo ameaçou recomeçar a batalha se não conseguisse dois postos no governo.

O presidente interino da Libéria, Moses Blah, saiu da negociação e voltou para casa em protesto contra a exigência.

Exílio

Dezenas de milhares de liberianos estão desesperadamente precisando de comida depois de semanas de luta entre o governo e as forças rebeldes.

O ex-presidente Charles Taylor partiu para o exílio na Nigéria no dia 11 de agosto numa tentativa de colocar fim a anos de conflito.

A força de paz Ecomil, da África Ocidental, está no país há duas semanas.

No domingo, mais tropas nigerianas chegaram, e a Ecomil expandiu a área sob seu controle perto de Monróvia.