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Conflito encobre centenas de estupros na Libéria, diz ONG

O conflito na Libéria tem servido de cobertura para que soldados leais ao governo de Charles Taylor e rebeldes cometam centenas de estupro no país, de acordo com a Concerned Christian Community – organização que presta ajuda às mulheres liberianas.

A diretora da entidade, Mariama Brown, estima que pelo menos 626 mulheres já foram estupradas neste ano na Libéria.

De acordo com Brown, o número pode ser ainda maior. "Por causa da guerra, nós não podemos passar para as áreas controladas pelos rebeldes e colher informações lá", afirma.

A diretora da ONG diz que, desde 1994, quando a guerra estourou, a Concerned Christian Community vem registrando uma média de mil estupros por ano.

Assistência

"Nossa prioridade é dar assistência às mulheres vítimas de estupros. Também fazemos campanhas de esclarecimentos e trabalhamos com ex-combatentes", afirma Mariama Brown.

A diretora da ONG diz que os estupros são praticados tanto por forças do governo quanto por soldados rebeldes. Algumas mulheres já teriam sido estupradas várias vezes, inclusive por adolescentes.

Segundo a Concerned Christian Community, esses estupros seriam mais oportunistas do que sistemáticos, isto é, não representariam retaliações de um lado do conflito contra famílias e mulheres ligadas ao outro lado, como foi o caso dos estupros nos conflitos de Serra Leoa e Somália, também na África.

"Esses soldados e rebeldes, por terem o poder das armas, pensam que podem que chegar e estuprar as mulheres que encontram", diz Mariama Brown.

Tropas de paz

A diretora da Concerned Christian Community afirma esperar que os soldados das tropas de paz se estabeleçam logo em todo o país, garantindo os direitos humanos da população, criando uma liderança política central e trazendo a calma para o país.

"Agora mesmo, nós não temos calma, principalmente nas zonas controladas pelos rebeldes. Mesmo na capital, Monróvia, a gente não sabe quem é quem, quem controla o quê", acrescentou.

Quando concedia a entrevista para a BBC Brasil, na terça-feira, Mariama Brown afirmou que estava surpresa, pois, mesmo depois da saída do presidente Charles Taylor do país, os combates ainda aconteciam.

"Enquanto eu estou conversando, eu estou ouvindo o barulho dos combates", disse a diretora da ONG.