O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta sexta-feira a criação de uma força multinacional de paz para a Libéria, com o objetivo de ajudar a manter a paz no país.
A aprovação foi pressionada pelos Estados Unidos, que solicitou a reunião extraordinária do Conselho.
O documento estabelece que as tropas de emergência sejam enviadas a Libéria para implementar o cessar-fogo estabelecido em 17 de junho entre os soldados fiéis ao presidente Charles Taylor e os grupos rebeldes liberianos.
A força também recebeu a missão de estabelecer e manter a segurança no país depois da saída de Taylor – que já aceitou uma oferta de asilo da Nigéria, mas se recusa a deixar o poder até que as tropas de paz cheguem à Libéria.
Enviados
A resolução, porém, não faz menção à participação de tropas americanas na força, algo que vem sendo pedido tanto pelo governo liberiano quanto pela população.
A previsão é que um primeiro grupo de soldados nigerianos, que deve fazer parte da força multinacional, chegue à Libéria até a segunda-feira.
A decisão do Conselho de Segurança da ONU foi tomada depois que um grupo de enviados de países do oeste da África chegou à capital liberiana, Monróvia.
O grupo acabou não se encontrando com Charles Taylor nesta sexta-feira, e foi informado de que o presidente se encontrava na segunda maior cidade do país, Buchanan, coordenando lá a luta contra os rebeldes.
Segundo o correspondente da BBC em Monróvia Paul Welsh, não está claro se Taylor estava mesmo fora da capital ou se ele simplesmente se recusou a se encontrar com a delegação.
Tribunal
Três membros do Conselho de Segurança se abstiveram da votação desta sexta-feira.
A França (que tem direito a veto), a Alemanha e o México manifestaram objeções à inclusão, no texto do documento, de uma cláusula que protege os soldados americanos que participarem da missão na Libéria de possíveis inquéritos futuros no Tribunal Penal Internacional.
O Tribunal, que passou a funcionar neste ano, não é reconhecido pelo governo americano.
As autoridades dos Estados Unidos querem que a força de paz multinacional seja liderada pelos países da Comunidade Econômica dos Estados do Oeste da África (Ecowas, na sigla em inglês).
Os soldados dos Estados Unidos apenas dariam apoio a essas tropas.