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Luta por controle de Monróvia é retomada

A batalha pelo controle da capital da Libéria, Monróvia, foi retomada nesta sexta-feira – dia em que uma comitiva de países vizinhos chegou ao país para convencer o presidente Charles Taylor a renunciar.

A delegação é composta de representantes da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês), que deve enviar tropas de paz na próxima segunda-feira.

Vários projéteis explodiram em Mamba Point, área de representações diplomáticas, e tropas do governo e rebeldes trocaram tiros nas proximidades das duas pontes que conduzem ao centro da cidade.

Até o início destes confrontos, Monróvia viveu dois dias de calmaria depois da chegada de uma equipe de peritos militares nigerianos, na quarta-feira à noite, encarregados de preparar o terreno para a entrada das tropas de paz.

A Ecowas acredita que Charles Taylor vá deixar o país, rumo ao exilo na Nigéria, três dias depois da chegada dos primeiros soldados das tropas de paz.

Pânico

Segundo o correspondente da BBC em Monróvia, Barnaby Philips, a multidão que havia tomado as ruas para receber comida, água e remédios depois de 13 dias de luta armada teve que buscar abrigo correndo quando a batalha foi retomada.

A Ecowas pretende mandar 3,2 mil soldados para a Libéria nas próximas três semanas - decisão que foi comemorada pelos habitantes de Monróvia.

"A maioria de nós está cansada de guerra. Queremos nos reencontrar com o nosso povo. Todo liberiano quer voltar a conviver com a sua família", disse um monrador da capital à agência de notícias Reuters.

O principal grupo rebelde do país – Liberianos Unidos pela Reconciliação e pela Democracia (Lurd, na sigla em inglês) – voltaram a exigir o cumprimento da promessa de renúncia de Taylor nesta sexta-feira.

Negociação

"Taylor tem que sair. Ele não vai ser um fator positivo em qualquer negociação no país", disse à BBC Kabineh Janeh, chefe da delegação enviada pelo Lurd às negociações em Accra.

A Nigéria oferecera asilo ao presidente Taylor, que é acusado de crimes de guerra pelo tribunal que julga as atrocidades cometidas na guerra de Serra Leoa.

No entanto, o secretário-geral da Ecowas, Mohammed ibn Chambas, deu mostras de que Charles Taylor não deverá ser julgado no futuro próximo.

"Ele não vai para Serra Leoa, vai para a Nigéria", disse Chambas à BBC.

O ministro liberiano Samuel Jackson disse que Taylor quer entregar o cargo formalmente, de preferência para o vice-presidente, Moses Blah.