O governo peruano enviou nesta quarta-feira ao Japão um pedido de extradição do ex-presidente Alberto Fujimori.
Fujimori, que está no Japão há cerca de dois anos e meio, é procurado pela Justiça peruana. Ele é acusado de corrupção e de envolvimento em crimes praticados por um grupo de extermínio no Peru.
Um porta-voz do ministério do Exterior peruano anunciou que o pedido, de setecentas páginas, está sendo encaminhado à embaixada do país em Tóquio.
O documento deve ser entregue às autoridades japonesas neste fim de semana ou, no máximo, na segunda-feira.
Ausência de acordo
Até agora, o governo japonês tem se recusado a extraditar Fujimori, que obteve a cidadania japonesa no ano 2000.
Não existe um acordo de extradição entre os dois países, mas as autoridades peruanas acreditam que as acusações contra Fujimori são tão graves que o Japão fará uma exceção neste caso – ainda que Fujimori seja também cidadão japonês.
Fujimori foi para o Japão quando enfrentava um escândalo de corrupção no seu país, que levou à queda de seu governo.
O pedido de extradição, traduzido para o japonês, diz que Fujimori sabia da existência de um grupo de extermínio chamado Grupo Colina e poderia ter autorizado alguns de seus crimes.
O grupo é acusado de realizar dois massacres no Peru nos anos 90.
Montesinos
Além da acusação de envolvimento com o grupo de extermínio, Fujimori também enfrenta outras seis.
Ele é acusado de ter abandonado o governo e de ter pago US$ 15 milhões ao seu então chefe do serviço secreto, Vladimiro Montesinos, depois que ele deixou o governo.
Fujimori nega todas as acusações, alegando que elas têm motivação política.
A promotoria, contudo, diz que têm amplas evidências que comprovariam a culpa do ex-presidente peruano.
Se o Japão se recusar a entregar Fujimori, o governo peruano ameaça levar o caso para a Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda.