O recurso do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf impedindo o envio de documentos sobre suas contas na Suíça às autoridades brasileiras deve atrasar o andamento do processo contra ele na Justiça do Brasil em pelo menos sete a oito meses.
A Justiça suíça acatou nesta segunda-feira o recurso do ex-prefeito, evitando que os dados sobre suas movimentações financeiras no país sejam enviados à Justiça brasileira.
O promotor Silvio Marques, da Promotoria da Cidadania de São Paulo, disse que os documentos poderiam concluir rapidamente a investigação que se arrasta desde 2001 sobre o destino dos recursos que Maluf teria desviado de obras superfaturadas quando era prefeito de São Paulo (1992-1996).
“Já estamos na etapa final. Esses documentos poderiam esclarecer toda a movimentação de recursos”, afirmou Marques.
O promotor também vai enviar, até sexta-feira, uma carta rogatória (pedido de troca de informações entre os Judiciários de dois países) à Justiça francesa.
Ele disse que não foi a Justiça brasileira que pediu a investigação da conta do Crédit Agricole, de Paris.
Até porque ele nem sabia da existência dessa conta até a semana passada, quando Maluf foi convocado a prestar esclarecimentos na França.
“Acredito que foi a Justiça suíça que pediu o bloqueio na França”, afirmou.
Isso mostra, segundo Marques, que a investigação sobre os recursos movimentados por Paulo Maluf é internacional, e independente do Brasil.
Atualmente, o ex-prefeito está sendo investigado em cinco países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França e Suíça.
No Brasil são duas investigações. Uma civil, pelo Ministério Público estadual, que pode resultar no pedido de devolução dos recursos já comprovadamente superfaturados de obras na cidade de São Paulo.
A outra é criminal, levada adiante pelo Ministério Público Federal, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes.
O promotor Marques acredita, no entanto, que a Justiça suíça vai acabar liberando os documentos quando o processo for julgado.
Contradição
“Embora o Maluf diga que não tem contas no exterior, ele decidiu recorrer. É contraditório. Se ele não tem contas no exterior, por que recorreu?”, questionou o promotor.
Marques disse que a investigação sobre Paulo Maluf é a segunda maior investigação de desvio de recursos e lavagem de dinheiro do mundo, depois do caso do ex-ditador nigeriano Sani Abacha, que também teve suas contas suíças congeladas em 1999.
Também estão bloqueados cerca de US$ 200 milhões do ex-prefeito na Ilha de Jersey, paraíso fiscal britânico no Canal da Mancha.
O Ministério Público já tem provas, segundo Marques, de que o dinheiro que saía de São Paulo seguia para Foz de Iguaçu, depois para o Banestado de Nova York e depois era enviado para Genebra.
São esses recursos de Genebra que, suspeita-se, estariam na conta bloqueada de Paris.
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