A polícia filipina prendeu Ramon Cardenas, um integrante do governo do antigo presidente Joseph Estrada (1998-2001), por suspeita de envolvimento no motim de militares ocorrido no fim de semana no país.
Quase 300 soldados fortemente armados abandonaram seus postos e tomaram parte da capital filipina, Manila, no domingo, mas renderam-se sem disparar um tiro sequer.
Os rebeldes exigiam a renúncia da presidente Gloria Arroyo, a quem acusavam de corrupção.
Na casa de Cardenas, a polícia encontrou armas, munições, e faixas vermelhas semelhantes às que os soldados amotinados amarram no antebraço durante o motim.
Segundo o correspondente da BBC em Manila Hohn McLean as autoridades estão tentando verificar se o motim é parte de um complô mais amplo para desestabilizar ou derrubar o governo da presidente Gloria Arroyo.
Justiça
Arroyo, que chegou ao poder após um levante popular contra Estrada, prometeu levar à Justiça todos os envolvidos no motim fracassado.
Estrada enfrenta um processo judicial por corrupção, mas ainda se considera o presidente de direito das Filipinas.
Arroyo disse que tanto os policiais envolvidos quanto os políticos que apoiaram a tentativa de tomada do porder serão investigados.
Os soldados amotinados colocaram explosivos em um shopping center nas primeiras horas de domingo e ficaram concentrados no local durante 19 horas, até concordarem a retornar aos quartéis ante a ameaça de ataque do governo.
Antonio Trillanes, um oficial da marinha entre os rebeldes, disse, antes de se render, que os soldados estavam "dispostos a morrer", mas puseram fim ao motim para impedir derramamento de sangue desnecessário.
Segundo o correspondente da BBC, os rebeldes desistiram de sua ação diante da ameaça do governo e da falta de apoio entre outros militares.
Arroyo disse que os 296 soldados amotinados nem pediram e nem receberão "tratamento especial".