Homens armados, que supostamente seriam militares planejando um golpe de estado, tomaram um shopping center em Manila, capital filipina e plantaram explosivos no local.
O grupo colocou explosivos nas portas de lojas de departamentos, hotéis e condomínios no Ayala Centre, localizado no centro financeiro da cidade.
Mais cedo, o chefe do comando militar filipino, general Narciso Abaya, havia afirmado que estavam sendo realizadas buscas para capturar 10 jovens oficiais e, entre 40 e 50 soldados armados, que haviam desertado.
A segurança foi reforçada no palácio presidencial de Malacanang.
Pronunciamento
Em um pronunciamento transmitido pela televisão em cadeia nacional, a presidente Gloria Arroyo não identificou os militares, mas os descreveu como "fugitivos da justiça".
Nos últimos meses, oficiais de baixo escalão vinham reclamando publicamente de baixos salários e de corrupção entre o alto escalão.
Arroyo disse que tinha prestado atenção às reclamações. Mas a declaração alimentou rumores sobre um possível golpe de estado, afirma o repórter da BBC John McLean, em Manila.
Um porta-voz das Forças Armadas, general Rodolfo Garcia, afirmou que estava investigando se o motim não poderia ter ligação com o ex-presidente Joseph Estrada, afastado em meio a protestos populares há dois anos.
Velhos fantasmas
"Não queremos acreditar ainda, mas há informações, que estão sendo verificadas, de que há conexão com o grupo de Estrada", afirmou Garcia.
O Secretário de Defesa, Angelo Reyes, disse que há pessoas trabalhando nos bastidores, controlando ou manipulando (os oficiais), tirando vantagem da juventude e da falta de experiência deles".
Estrada é mantido em um hospital militar enquanto está sendo julgado por apropriação indébita de US$ 80 milhões, durante os dois anos em que esteve na presidência.
Arroyo, que era vice-presidente, assumiu em 2001, com o afastamento dele.
Ele sustenta, no entanto, que ainda é o presidente filipino.
Alerta máximo
Guardas presidenciais em uniformes de combate e armados com rifles, estão revistando todos os veículos que circulam na área próxima ao palácio presidencial.
Arroyo alertou que vai buscar a pena máxima para os amotinados:
"O alerta é extensivo a políticos inescrupulosos que exploram o complexo messiânico destes militares velhacos, pelas suas ambições nuas".
Aviso
O chefe da Igrega Católica nas Filipinas, cardeal Jaime Sin, havia alertado para a existência de planos de um golpe para derrubar o governo.
"Não podemos negar que muitas reformas são necessárias", disse o cardeal em um comunicado.
"Mas o que tem que ser feito pela renovação nacional, pode e deve ser feito através de meios pacíficos", conclui o comunicado.