A administração americana do Iraque abriu nesta sexta-feira à imprensa o necrotério onde estão os dois corpos que seriam dos filhos do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.
O secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, defendeu a iniciativa de divulgar as imagens dos corpos mutilados, que seriam de Uday e Qusay, em mais uma tentativa de convencer o povo iraquiano de que ambos realmente morreram.
No entanto, ainda assim as dúvidas persistem entre os iraquianos.
Os médicos legistas americanos revelaram também nesta sexta-feira que cada um dos corpos foi baleado mais 20 vezes e que não há indícios de que eles tenham cometido suicídio.
Reconstituição
"Os corpos passaram por procedimentos de reconstituição facial", disseram os americanos à agência de notícias Reuters.
Houve um caloroso debate nos Estados Unidos sobre a liberação das fotos dos corpos, já que os americanos normalmente evitam publicar fotos de cadáveres e criticaram a divulgação de imagens de soldados americanos mortos pela rede de televisão Al-Jazeera durante a guerra.
Para Rumsfeld, no entanto, a divulgação das fotos pode salvar vidas americanas e britânicas e provar que os antigos líderes do Iraque não vão mais voltar.
O correspondente da BBC em Washington, Nick Bryant, disse que alguns generais consideraram as fotos "repugnantes".
'Decisão difícil'
Rumsfeld alegou que a decisão não foi fácil.
"Mas é importante que o povo iraquiano os veja, veja que eles se foram, que saibam que estão mortos e não vão voltar", disse o secretário.
Uma hora depois de as fotos terem sido liberadas em um CD-ROM pelos americanos, a agência Associated Press já reportava o ceticismo dos iraquianos.
"Não estou convencido de que as fotos são de Uday e Qusay", disse o contador Shant Agob, de 37 anos, depois de ver as imagens na televisão.
"Mesmo que sejam, não estou feliz. Eu teria ficado feliz se eles tivessem sido capturados e levados à Justiça perante os iraquianos", completou.
Outros iraquianos também mantiveram o ceticismo.
Os dois cadáveres morreram durante um ataque com mísseis do Exército americano a uma mansão na cidade de Mosul, no norte do Iraque.