O Congresso americano divulgou nesta quinta-feira um relatório com os detalhes da investigação sobre os ataques de 11 de setembro de 2001. As principais críticas dizem respeito à falta de comunicação entre as agências de inteligência do país.
De acordo com os deputados americanos, existiam fortes suspeitas contra dois dos seqüestradores dos aviões – Khalid Al-Mihdhar e Nawaf Al-Hazmi, que foram identificados ao sair de uma reunião da Al-Qaeda na Malásia, em 2000 –, mas os nomes deles não foram colocados na lista de suspeitos do Departamento de Estado americano.
Por causa disso, um agente do FBI não teria tomado as providências necessárias - mesmo tendo sido avisado por um informante em San Diego, na Califórnia, sobre as atividades dos dois - já que não sabia que eles eram suspeitos de terrorismo.
O relatório de 800 páginas diz ainda que as tragédias poderiam ter sido evitadas se houvesse uma maior cooperação, técnica, criatividade e sorte. O documento, no entanto, ressalta que não havia indícios suficientes para que os ataques fossem impedidos.
Recomendações
Entre as recomendações do relatório está a criação de um novo sistema de responsabilidade para todas as agências de inteligência do país.
O agente do FBI citado no relatório teria dito que, se soubesse que os homens eram suspeitos, "teria feito de tudo".
"Nós teríamos usado todas as técnicas investigativas disponíveis", disse o agente.
Investigadores das seções de crimes financeiros do FBI e do Departamento do Tesouro teriam afirmado ainda que seriam capazes de localizar os dois seqüestradores em agosto de 2001 por meio de informações de cartões de crédito e bancos.
Os congressistas também criticaram as agências por terem vetado grande parte do relatório.
O documento levanta dúvidas sobre as relações dos seqüestradores com a Arábia Saudita, dizendo que um dos homens teria financiamento ilimitado do país.