Os negociadores brasileiros do Mercosul vão acompanhar com atenção o encontro que ocorrerá, nesta quarta-feira, entre o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
No encontro, em Washington, os dois líderes devem discutir, além do combate ao terrorismo, a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
"Vamos observar com atenção o que eles vão declarar após a reunião", afirmou um dos negociadores brasileiros.
Ao mesmo tempo, diplomatas brasileiros acreditam que o encontro é, principalmente, para que Bush e Kirchner possam se conhecer.
"Observando"
A reunião também abriria caminho para o retorno da Argentina ao cenário internacional, depois da crise que levou à queda de quatro presidentes e à moratória da dívida externa, em 2001.
"Não acreditamos que Kirchner fará com Bush algum tipo de acordo debaixo do tapete", afirmou um negociador brasileiro. "Mas estamos observando."
O presidente americano surpreendeu o governo argentino ao convidar Kirchner a visitar a Casa Branca com apenas uma semana de antecedência, dois meses antes do que era esperado, e quando sequer estava confirmado o encontro entre os dois previsto para setembro.
Do lado argentino, a expectativa é de que se aproveite a reunião com Bush para tentar conseguir apoio do governo americano ao novo acordo do país com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
O acordo atual vence em agosto e já em setembro a Argentina deverá pagar uma parcela da sua dívida com o próprio organismo multilateral de crédito.
"Queremos um acordo, mas desde que (ele seja) sem sacrifícios para a nossa rota de crescimento", teria dito o presidente argentino, segundo assessores.
Atentado
Kirchner deverá dizer ao presidente americano que a economia argentina voltou a crescer e, segundo o ministro da Economia, Roberto Lavagna, deve atingir a meta de 5,5% de expansão este ano.
O presidente argentino pretende ainda falar da sua decisão de combater a corrupção e de abrir os arquivos da polícia sobre as investigações realizadas no atentado à AMIA (a sede da associação israelita argentina).
O atentado ocorreu há nove anos e deixou 85 mortos. O anúncio do presidente argentino mereceu elogios dos familiares das vítimas e organizações de direitos humanos.
Junto ao presidente argentino estarão sua mulher, a senadora Cristina Kirchner, e os ministros Lavagna e Rafael Bielsa, das Relações Exteriores.
A visita ocorrerá apenas cinco dias depois de uma visita do presidente argentino à Europa, em que ele se reuniu com José Maria Aznar, na Espanha, Tony Blair, na Inglaterra, e Jacques Chirac, na França.
Na mesma ocasião, ele evitou se encontrar com empresários na Espanha e na França, surpreendendo homens de negócios e o mercado em geral.