O grupo Liberianos Unidos para a Reconciliação e Democracia está no centro dos atuais conflitos na Libéria.
Antes baseados em Gana, ele já ocupa parte do país e tenta agora controlar a capital Monróvia, último reduto do presidente Charles Taylor.
O presidente também é acusado de ter envolvimento com grupos rebeldes em países vizinhos, principalmente em Serra Leoa, onde estaria lucrando com o apoio dado aos rebeldes que operavam nas áreas de produção de diamantes.
Em junho, Taylor foi condenado pelo Tribunal Especial para a Serra Leoa de crimes contra a humanidade por sua participação na guerra brutal que durou dez anos e terminou em 2002.
Sem recursos
Analistas afirmam que o fim do conflito em Serra Leoa – graças a uma grande operação internacional de paz – acabou com a fonte de recursos de Taylor.
Um outro grupo rebelde, o Movimento para a Democracia na Libéria (Model) formado recentemente, conseguiu ganhar controle de áreas estratégicas no sul e no leste do país – onde há exploração de madeira –, reduzindo ainda mais os recursos de Taylor.
Sem dinheiro para pagar grupos fiéis a ele, Taylor está cada vez mais isolado por sanções internacionais.
Críticos afirmam que a saída do presidente iria contribuir para a paz e a prosperidade da região, permitindo que a África Ocidental se concentrasse na tarefa de promover o desenvolvimento econômico.
A tomada do poder pelos rebeldes, no entanto, não levaria, necessariamente, ao fim dos conflitos.
Poderia ser apenas mais um passo em uma longa guerra civil.
Tradição
A Libéria é a república mais antiga do continente – foi fundada por escravos americanos libertados em 1822 – e tem enfrentado uma guerra civil intermitente nos últimos 20 anos.
Os confrontos começaram na década de 80, após anos de governos totalitários que oprimiam a oposição, com apoio dos Estados Unidos.
Em 1980, os partidos de oposição Reforma e Povo Unido exigiram a renúncia do então presidente R. Tolbert Jr.
O Exército liberiano se aliou à oposição, em um complô que culminou em um golpe que levou Samuel Doe ao poder. Doe cancelou a Constituição do país e desencadeou uma crise econômica.
Em 1989, a oposição se rebelou novamente, sob a liderança do atual presidente Charles Taylor e seu grupo Frente Patriótica Nacional da Libéria. Essa batalha durou até o fim de 1996.
Em 1997, ele foi eleito presidente, em eleições consideradas livres por observadores internacionais.
Desde então, Taylor tem sido acusado de manter um governo violento e ditatorial.
O presidente americano, George W. Bush, apesar da relutância em enviar tropas de paz à Libéria, chegou a pedir publicamente a renúncia de Taylor e a dizer que a presença dele no comando do país é insustentável.
Taylor concorda em renunciar a aceitar o asilo oferecido pela Nigéria, mas só quer fazê-lo depois da chegada de tropas de paz internacionais.
Esse é o tipo de detalhes que poderia mudar os rumos da negociação.
Os rebeldes afirmam que, se as tropas de paz chegarem antes da renúncia, Taylor pode se sentir à vontade para continuar no governo, protegido pelos soldados internacionais.
Bush está esperando a volta de uma equipe enviada à Libéria para decidir com clareza sua participação no processo.
Com a oferta de um "asilo seguro" na Nigéria, a comunidade internacional tem que decidir se vai concordar com essa alternativa que daria imunidade a Taylor e tornaria nula a ordem de prisão dada pelo tribunal de Serra Leoa.
A estabilidade da Libéria não é apenas vital para os habitantes do país, mas também para os vizinhos Serra Leoa e Costa do Marfim, que sofreram com guerras civis recentemente.