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EUA revelam dados de inteligência sobre Iraque

A Casa Branca divulgou parte de um documento com informações que justificariam a posição adotada pelas autoridades americanas de que o Iraque do presidente deposto Saddam Hussein representava um perigo para os Estados Unidos.

A divulgação do relatório, com dados de inteligência americanos, foi considerada uma medida bastante incomum.

Várias informações contidas no documento foram incluídas no discurso sobre o Estado da União, proferido pelo presidente americano, George W. Bush, em janeiro.

O discurso foi objeto de debate nos últimos dias, por ter incluído a informação, até agora não provada, de que o Iraque teria tentado adquirir urânio de um país africano com o objetivo de desenvolver armas nucleares.

Programa nuclear

O documento data de outubro de 2002 e foi produzido pela CIA (Central de Inteligência Americana).

Ele diz que o serviço de inteligência dos Estados Unidos tinha bastante certeza de que o Iraque possuía armas químicas e biológicas e que poderia construir uma bomba atômica em questão de meses se tivesse material radioativo suficiente.

Isso indica que, na época, a inteligência americana acreditava que Bagdá estava retomando seu programa nuclear.

O documento também revela a desconfiança do Departamento de Estado em relação à informação dada pelos britânicos de que o Iraque teria tentado adquirir urânio do Níger, um país da África.

O órgão de inteligência do Departamento teria definido as alegações como “altamente duvidosas”.

Justificativa

Um representante da Casa Branca disse que a divulgação do documento deve provar que o governo americano tinha uma preocupação genuína com o programa nuclear do Iraque.

O relatório mostraria que a preocupação tinha justificativa, mesmo que a divulgação da alegação de que o país buscou urânio na África tenha sido um erro.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Rob Watson, a decisão de tornar público parte do relatório de inteligência mostra o quanto a Casa Branca está ansiosa para calar seus críticos em relação à conduta que adotou nas semanas que antecederam a ofensiva no Iraque.

No entanto, Watson acredita que, no atual momento, apenas a descoberta das armas de destruição em massa no Iraque poderia encerrar o debate.