O diretor da Central de Inteligência Americana (CIA), George Tenet, prestou depoimento de cerca de quatro horas nesta quarta-feira a uma comissão do Senado americano, durante o qual falou sobre informações a que teve acesso sobre o Iraque.
Tenet respondeu a perguntas em uma sessão a portas fechadas do Comitê de Inteligência do Senado, em Washington.
O foco das perguntas teria sido a informação de que o Iraque teria buscado comprar urânio de um país africano, o Níger, com o objetivo de desenvolver armas nucleares.
A informação, que teria sido dada à CIA pelo serviço de inteligência britânico, foi incluída no discurso sobre o Estado da União do presidente George W. Bush em janeiro – mas, até agora, não foi provada.
Responsabilidade
Tenet assumiu a responsabilidade pela inclusão da informação no discurso, o que teria ajudado a convencer a opinião pública americana quanto à necessidade de os Estados Unidos realizarem uma ofensiva contra o Iraque.
Políticos da oposição democrata acreditam que foram funcionários da própria Casa Branca, e não a CIA, que decidiram que Bush deveria divulgar no discurso a informação.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohammed El-Baradei, disse que documentos que comprovariam que o Iraque buscou adquirir urânio na África são falsos.
No entanto, as autoridades britânicas insistem que tiveram acesso a mais informações de inteligência antes de divulgar a alegação.
Antes de Tenet começar a ser interrogado, o senador democrata e possível candidato à presidência John Edwards disse que o presidente Bush não deve tentar buscar bodes expiatórios no caso.
“A responsabilidade não é da CIA, não é de ninguém mais, é do presidente”, disse.