Líderes dos principais grupos rebeldes da República Democrática do Congo (ex-Zaire) tomaram posse nesta quinta-feira como vice-presidentes do país.
O sistema de governo compartilhado tem como objetivo colocar fim a cinco anos de uma sangrenta guerra civil que matou cerca de 3 milhões de pessoas.
A administração de transição, que terá quatro vice-presidentes, será liderada por Joseph Kabila, que tomou posse em 2001, após o assassinato do seu pai, o presidente Laurent Kabila.
Caso funcione, o novo governo deverá abrir caminho, em dois anos, para a realização das primeiras eleições democráticas do Congo.
Danças
A cerimônia de posse foi marcada por danças tradicionais e a presença de centenas de convidados no Palácio do Povo, na capital Kinshasa.
O líder do maior grupo rebelde do Congo, Azarias Ruberwa, disse que a presença dos rebeldes marcava o início da transição. "Nós já anunciamos o fim da guerra, mas agora é uma realidade", afirmou.
Jean-Pierre Bemba, líder do segundo maior movimento, MLC, que é apoiado pelo governo de Uganda, voltou a Kinshasa, pela primeira vez, desde 1997.
O conflito do Congo tem sido considerado o pior desde a Segunda Guerra Mundial. Dezenas de tropas estrangeiras foram enviadas ao país para tentar conter a violência.
A correspondente da BBC em Kinshasa, Ishbel Matheson, disse que a posse dos vice-presidentes marca formalmente o fim da guerra, mas segundo Matheson ainda há vários obstáculos a serem vencidos.
Um provável problema para o novo governo pode ser a falta de um acordo sobre a forma como forças do governo e os rebeldes devem ser integrados em um novo Exército.
ONU
Uma outra questão é o conflito contínuo na Província Ituri, no leste do Congo, que vive em estado de anarquia provocado por várias milícias étnicas. Matheson relata que em Ituri estão ocorrendo estupros, assassinatos e atos de canibalismo.
Na quarta-feira, rebeldes da etnia hema acusaram outros grupos armados de matarem pelo menos 35 pessoas em um ataque a um vilarejo, a 50km de distância de Bunia, no nordeste do país.
Um porta-voz da ONU em Bunia confirmou que houve pesados combates na região, mas disse que não podia informar sobre o número de mortos.
Mais de mil soldados franceses foram enviados à região para conter os combates entre milícias rivais, mas as forças internacionais não controlam áreas fora da cidade.