O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, acertaram nesta quarta-feira, em Madri, a criação de uma aliança estratégica entre os dois países.
Trata-se de um plano de ação para o desenvolvimento de acordos bilaterais, cooperação entre organismos multilaterais, processo de integração no Mercosul, relações Mercosul-União Européia e outras iniciativas de desenvolvimento na Area de Livre Comércio das Américas (Alca).
Ficou acertado ainda nesta reunião, na sede do Executivo espanhol, o Palácio de Moncloa, que Aznar irá ao Brasil em outubro, quando será apresentado o plano de estratégia da aliança.
Os dois líderes enfatizaram muito o papel da Espanha no processo de integração do Mercosul. "A Espanha, através de seus empresários e políticos, pode fazer muito pelo processo de integração do Mercosul. Pode fazer obras ou parcerias com o empresariado e com os governos interessados", disse Lula.
"Ferrovias"
Segundo Lula, pelos seus aspectos culturais e da lingüísticos, a Espanha deve ter um papel fundamental no processo do Mercosul, nos principais projetos de integração física da America do Sul, nas questões de obras ligadas ao setor de transportes e nos projetos que serão apresentados e definidos quando Aznar for ao Brasil.
Lula afirmou ainda que espera que o Mercosul possa seguir os exemplos da União Européia, de integração de países ricos e pobres, de tentar criar um parlamento e, "quem sabe, no futuro, uma unificação monetária como o euro, na União Européia".
Respondendo a uma pergunta sobre como o Brasil vai tratar países mais pobres como o Paraguai e o Uruguai, Lula disse: "Temos clareza de que as parcerias do Mercosul passam pelo fato de que os países mais fortes têm que ajudar os mais fracos. Se não fosse assim, a União Européia não existiria e o Leste Europeu não cresceria. O Brasil precisa ser solidário", disse.
Iraque
O assunto mais polêmico do encontro foi a posição oposta dos dois líderes na guerra contra o Iraque. A Espanha apoiou a posição americana e a guerra, e o Brasil foi contra.
"A minha posição na guerra do Iraque foi explicitada antes, durante e depois. No ano passado, eu disse ao presidente Bush que a minha guerra no Brasil era contra a fome, não contra o Iraque. Ele tinha as razões dele e eu as minhas. O tempo vai dizer quem tinha razão", afirmou Lula.
Sobre a possibilidade de uma nova participação do Brasil no G8, Lula disse que o Brasil nunca pediu para ser membro permanente desse grupo.
"Fui convidado, achei muito importante a minha participação, como a de outros países convidados, como a Argélia, a China e a Índia, mas nunca pedi para participar do G8. No dia em que for criado o G10, G12, G13, então o Brasil vai entrar", respondeu o presidente brasileiro.
Lula deve retornar ao Brasil ainda nesta quarta-feira.