O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, vai transferir nesta terça-feira o seu escritório para a cidade de Arauca, numa região de conflito armado no nordeste do país.
Uribe deixa a capital Bogotá para trabalhar por três dias a partir da sede da 18ª Brigada do Exército Nacional. O presidente será acompanhando por cerca de 80 pessoas, entre elas muitos ministros.
As medidas de segurança foram reforçadas no local para receber o presidente.
Veículos especiais e equipamentos de comunicação via satélite foram levados a Arauca para que Uribe possa cumprir suas funções executivas sem inconvenientes.
Primeira vez
É a primeira vez que um presidente colombiano transfere a sede do governo para uma zona de conflito.
No entanto, isso não é novidade para Uribe: quando governava o Departamento de Antioquia, ele despachou por um período na cidade de Apartadó, que vivia então uma situação crítica de desordem pública.
A iniciativa de Uribe tem o objetivo de mostrar o controle do Estado colombiano sobre todo o território nacional, em especial na região de Arauca, palco de fortes enfrentamentos entre rebeldes de esquerda e paramilitares de direita.
Na primeira vez que o presidente visitou essa zona, um carro-bomba explodiu e matou um policial pouco antes de seu avião aterrissar.
"Reabilitação"
Arauca é uma das duas "zonas de reabilitação" declaradas pelo governo em setembro do ano passado, com o propósito de restaurar a ordem pública com medidas especiais de controle.
Essas medidas, porém, foram suspensas pouco depois por uma corte constitucional.
O Departamento de Arauca já passou por diversos racionamentos no serviço de energia elétrica em razão de ataques da guerrilha contra torres de transmissão.
Recentemente, a região ficou vários dias sem luz após torres serem derrubadas numa ação simultânea.
Nos últimos meses, vários carros-bomba e bicicletas-bomba mataram ou feriram civis e militares. Líderes políticos e religiosos foram assassinados nos últimos meses.
Na semana passada, a vítima foi Luis Alejandro Plazas, encarregado de organizar o processo eleitoral pelo qual serão eleitos em outubro os governantes locais e departamentais.
Petróleo
Arauca é uma região próspera de criadores de gado. É mais conhecida, sobretudo, por sua riqueza em petróleo.
É ali que começa o oleoduto Caño Limón-Coveñas, alvo freqüentes de ataques guerrilheiros.
O duto transporta 110 mil barris de petróleo por dia e é operado pela empresa americana Occidental Petroleum.
Desde janeiro, 70 membros de uma unidade especial militar dos Estados Unidos treinam os colombianos em operações de proteção ao oleoduto e combate ao terrorismo.