O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou nesta terça-feira uma platéia de empresários espanhóis a investir mais no Brasil - "um bom negócio para a Espanha", de acordo com Lula.
Em discurso no Encontro Empresarial Espanha-Brasil, que reuniu em Madri 60 das principais empresas brasileiras e espanholas que têm acordos bilaterais, o presidente disse que a Espanha tem muito a ganhar com os acordos com o Mercosul e a União Européia.
"Os empresários que apostam no Brasil vão ter resultado. A Espanha (segundo maior parceiro comercial do Brasil, depois dos Estados Unidos) é um país parceiro e este encontro empresarial é parte de um esforço de aproximação", afirmou Lula.
Simpático, o presidente chegou a ensaiar um portunhol ao fechar sua participação com as palavras: "Está encerrada la sessão".
Boa repercussão
Aplaudido de pé, Lula deixou uma boa impressão entre os empresários.
"Lula tem um carisma que atrai muita gente", disse um empresário, destacando a sua confiança no governo brasileiro.
Outros lembraram que continuam apostando no Brasil, mas que ainda há preocupação com a forma com que serão feitas as reformas sociais no Brasil.
O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, José Maria Cuevas, abriu o encontro destacando a importância de um relacionamento comercial cada vez maior com o Brasil.
"É necessário aumentar os nossos intercâmbios comerciais que, mesmo tendo crescido de forma substancial, apenas representam 2% do comércio exterior brasileiro", disse Cuevas.
Longo prazo
O espanhol disse ainda que o processo de crescimento das empresas espanholas no Brasil é um compromisso a longo prazo.
"(É) uma vontade firme de integrar-se na realidade econômica e social brasileira, que já se converteu em um fator de crescimento da nossa própria economia", completou.
Durante o encontro, Lula também voltou a criticar as atuais regras no comércio internacional.
"Defendo regras mais justas. Não podemos desperdiçar as oportunidades, estamos fazendo grandes esforços para fortalecer o Mercosul e trazer desenvolvimento social e crescimento econômico para os nossos povos", disse Lula, que insistiu muito no tema justiça social.
"Países ricos fazem suas próprias leis, que atrapalham o desenvolvimento dos países mais pobres", criticou o presidente, sem nomear algum país específico.
Campanha
Lula disse ainda ter consciência de que o mercado reagiu muito mal durante a sua campanha à Presidência por desconfiar que o governo PT poderia descumprir os compromissos internacionais.
No entanto, o presidente ressaltou que o seu governo está sendo marcado por uma política austera e – para reforçar essa afirmação – lembrou que o governo antecipou duas mudanças que só deveriam acontecer no segundo semestre: as reformas da Previdência e tributária, que foram fechadas no dia 30 de abril.
"Os 27 governadores de Estado do meu país, acatando o chamamento da Presidência, assinaram um acordo unânime pela primeira vez no Brasil, afirmando que a reforma não era só do interesse do governo, mas de todo o país."
"Vamos votar a reforma neste ano e, se Deus quiser, estamos dando um passo decisivo para o crescimento do Brasil", concluiu Lula.