Em seu último compromisso em Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou transparecer a informalidade que ele usa normalmente no Brasil.
O palco foi o do teatro Peacock, o maior da London School of Economics. E a platéia, dessa vez, não foi formada apenas de brasileiros.
Após pouco tempo tentando ler o discurso que havia sido preparado, o presidente decidiu improvisar.
"Eu gostaria que política internacional fosse como eu e Marisa. Nós nos conhecemos, em cinco meses nos casamos e estamos há 30 anos fazendo negócios", disse ele, entre gargalhadas do público, antes de completar: "E o superávit comercial é dela."
Miami
Outro momento do discurso que arrancou gargalhadas dos espectadores foi quando Lula criticou a falta de transportes confiáveis entre países latino-americanos.
O presidente citou que homens de negócios de alguns países da América do Sul precisam fazer escala em Miami para irem ao Brasil, devido à falta de vôos diretos.
"Se ele tiver que fazer escala em Miami, já faz negócios em Miami, não precisa ir para o Brasil", brincou Lula.
A agenda do presidente foi a mesma adotada em outros eventos internacionais: ampliação dos parceiros comerciais do Brasil, fortalecimento do Mercosul, acesso aos mercados dos países desenvolvidos e uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.
O presidente brasileiro afirmou que, se o Conselho de Segurança fosse democrático, a crise no Oriente Médio já teria sido resolvida e que a estrutura do órgão era ultrapassada, seguindo a lógica da Guerra Fria.
Sobre assuntos internos, ele disse que, em seu governo, está ampliando o combate à corrupção, os investimentos em saúde e educação, os programas Fome Zero e Primeiro Emprego e as reformas da Previdência e tributária.
Minas
Ele citou o caso de Minas Gerais como um exemplo de que, se a reforma da Previdência não for feita, o país pode não ter condições de pagar os aposentados em poucos anos.
De acordo com Lula, Minas arrecada R$ 450 milhões dos servidores públicos, mas paga a eles R$ 4 bilhões em pensões e aposentadorias.
No encerramento, o presidente afirmou estar consciente da enorme expectativa na população brasileira e no exterior.
Lula, que foi apresentado no início da conferência pelo diretor da universidade, Anthony Giddens, como "um homem que pode não apenas mudar o Brasil, mas o mundo", afirmou que não vai decepcionar.
A estudante Marina Franceschini, de Brasília, disse ter ficado impressionada
com o carisma de Lula.
"Ele toca no coração das pessoas", afirmou a estudante, que vive em Brasília, mas está concluindo um curso de mestrado na capital britânica.
Na saída do teatro, aproximadamente 500 pessoas esperavam o presidente com fotos e faixas.
Sob olhares de repreensão do serviço de segurança, ele parou antes de entrar no carro, acenou para a multidão, apertou a mão de alguns brasileiros e seguiu para a base aérea rumo a Madri.