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FHC critica campanha que prega fidelidade

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou as campanhas que pregam a abstinência sexual e a fidelidade na abertura do maior congresso sobre a Aids do ano, em Paris, na França.

"A experiência brasileira confirma que mensagens ambíguas e inconsistentes como essas que defendem a abstinência e a fidelidade como solução correm o risco de gerar uma falsa sensação de segurança", disse o ex-presidente.

As campanhas atuais dos Estados Unidos seguem o modelo criticado por FHC, enfatizando justamente a abstinência sexual e a fidelidade, e não o uso de camisinha.

O ex-presidente justificou a sua posição ao afirmar que "freqüentemente" mulheres que não usavam camisinha porque tinham um só parceiro sexual acabaram sendo infectadas, "o que mostra que a camisinha é vital em todas as relações sexuais".

Resultados

O ex-presidente brasileiro aproveitou o congresso para mostrar os resultados do programa de combate à Aids de seu governo (1995-2002).

FHC disse que o número de mortes relacionadas à Aids caiu 50% e o número de hospitalizações caiu 70% por causa de campanhas de educação, da "expansão do acesso à saúde básica" e do fornecimento de remédios para todas as pessoas infectadas.

O ex-presidente disse que o mundo todo pode aprender com a experiência do Brasil, que passou a produzir versões genéricas dos remédios contra a Aids para baratear o seu custo.

Ativistas de todo o mundo e o prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, concordaram com FHC e defenderam a tese de que países da África, os mais atingidos pela Aids, têm o direito de produzir essas drogas.

Fernando Henrique terminou o seu discurso aplaudido por todos ao colocar a saúde acima dos interesses das empresas.

"Hoje, mais do que nunca, o combate efetivo à Aids é um teste à democracia, aos direitos humanos e à ética global de compaixão e solidariedade. Nós temos boas razões para ter esperanças, e as esperanças também podem ser reforçadas por uma ação combinada e comprometida. Essa é a nossa responsabilidade. A vida é mais importante do que os mercados."