O guitarrista e cantor Compay Segundo – uma verdadeira lenda da música cubana – morreu na madrugada desta segunda-feira, aos 95 anos, em Havana.
A informação foi anunciada pela gravadora Dro-EastWest, à qual o cantor pertencia.
Compay sofria de uma grave infecção nos rins, o que o levou a cancelar uma série de apresentações européias que tinha marcado para este semestre.
O artista ganhou projeção mundial em 1999, com o documentário Buena Vista Social Club, de Wim Wenders, que enfocava a música feita por veteranos artistas cubanos.
Sucesso internacional
Com o sucesso do longa, muitos dos artistas mostrados no filme passaram a fazer apresentações regulares no exterior, entre eles o cantor Ibrahim Ferrer, o pianista Rubén González e a cantora Omara Portuondo.
A trilha sonora de Buena Vista Social Club vendeu mais de 4 milhões de cópias em todo o mundo.
Há vários dias, Compay estava de cama em sua casa no bairro de Miramar, em Havana, onde estava recebendo tratamento médico e atenções de seus familiares.
O músico, cujo nome verdadeiro era Maximo Francisco Repilado, nasceu em 1907 e desenvolveu a maior parte de suas técnicas musicais na década de 20.
Mas ele só passou a usar o nome artístico pelo qual ficou conhecido nos anos 40. 'Compay' é uma gíria cubana para cumpadre e 'segundo' é um apelido ganho devido às suas harmonias vocais graves.
Jejum
Compay Segundo tocava clarinete e um instrumento de cordas cubano chamado tres.
O seu grupo, Compay Segundo y sus Muchachos, foi formado em 1956 e seguiu em atividade até a sua morte.
Mas após a Revolução Cubana, Compay se afastou do cenário musical e passou a enrolar charutos como ganha-pão.
Ele retomou atividades, no entanto, na década de 80, antes do lançamento do filme de Wim Wenders.
Em 1996, ele quebrou um longo jejum artístico com o disco Lo Mejor de la Vida (O Melhor da Vida) - para marcar seu 90º aniversário.
Um de seus últimos discos, Calle Salud , lançado em 1999, recebeu muitos elogios da crítica.