O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terminou sua visita a Portugal com a única coisa que tinha faltado durante a viagem: um "banho de multidão".
Acompanhado do presidente português, Jorge Sampaio, e do primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso, Lula demorou mais de 40 minutos para percorrer os 250 metros da rua Direita, em Cascais, atendendo a pedidos de autógrafos e abraçando cidadãos brasileiros e portugueses.
O passeio foi feito após um almoço com os dois dirigentes portugueses. Depois de três dias em Portugal, Lula fez a avaliação da viagem: "O resultado é a consciência de que a aproximação entre Portugal e Brasil é, do ponto de vista cultural e político, cada vez mais forte e cada vez maior", disse.
O último dia da visita a Portugal foi dedicado a encontros: com os líderes das duas centrais sindicais portuguesas, com membros de núcleos do PT de Portugal e com representantes da comunidade brasileira em Lisboa. No meio da tarde, o presidente seguiu para Londres.
Alca
Na reunião com os sindicalistas, Lula foi questionado pelo secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores, João Proença, a respeito da participação do país na Alca (Área de Livre Comércio das Américas). "Tivemos a oportunidade de questionar o presidente Lula sobre aquela declaração de Washington de que o Brasil estava no caminho da Alca", disse Proença.
Segundo Proença, Lula garantiu que o Brasil estava priorizando o Mercosul, seguindo um caminho de integração na Alca com base numa política de livre-comércio com dimensão sul-americana.
Proença, que é filiado ao Partido Socialista de Portugal, falou sobre a reunião da Terceira Via, de que Lula participará em Londres: "Para mim, a Terceira Via é a social-democracia de direita. Como sindicalista e como socialista, não me vejo na Terceira Via, me vejo no movimento social-democrata, que tem valores". Ele considera que Lula situa-se à esquerda da Terceira Via.
Brasileiros
Na reunião com o núcleo do PT de Portugal, os petistas levaram duas questões ao presidente. Querem que seja feito um acordo para que tenham o direito de ser eleitos deputados para o Parlamento português.
E querem também que brasileiros que residem no exterior possam votar não apenas para presidente, como também em outras eleições brasileiras.
Lula reuniu-se também com representantes da Casa do Brasil de Lisboa. "Pedimos a criação de uma secretaria ou uma comissão permanente para o apoio aos imigrantes brasileiros no exterior", conta José Carlos Camargo, vice-presidente dessa associação de imigrantes. Ele diz que Lula gostou da idéia.
O presidente partiu para Londres, onde participará de uma reunião da Governança Progressista - a chamada Terceira Via -capitaneada pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Lula afirmou que não leva nenhuma proposta ao encontro: "É a primeira reunião de que eu vou participar. Primeiro quero ouvir o que os meus amigos têm a dizer, para depois eu falar", disse o presidente.