O primeiro ministro britânico, Tony Blair, afirmou neste domingo que a reportagem da BBC, sobre a possibilidade de o governo britânico ter "maquiado" o dossiê sobre as armas de destruição em massa no Iraque, foi "um ataque sem precedentes” à sua integridade.
Afirmando que as declarações presentes na reportagem da BBC são “absurdas”, o primeiro ministro disse ao jornal britânico The Observer que “todos já aceitam que essas alegações são falsas”.
“Não se pode fazer uma acusação mais grave a um primeiro ministro”, disse Blair.
A polémica entre o governo e a BBC, que é uma rede pública de televisão, será tema de uma reunião entre diretores da empresa, marcada para este domingo. A reunião acontecerá antes da divulgação de um documento pela Câmara dos Comuns, que investigou até que ponto o dossiê foi exagerado.
Reunião
O documento será divulgado na segunda-feira.
Os funcionários da BBC se reunirão com o diretor-geral da empresa, Greg Dyke. Segundo o jornal The Sunday Telegraph, Dyke dirá aos funcionários que a BBC não “pode voltar atrás” nas declarações dadas por um alto funcionário da inteligência britânica ao repórter Andrew Gilligan, confirmando que o documento sobre o Iraque foi exagerado.
Segundo informações, o relatório do comité da Câmara dos Comuns, no entanto, deverá livrar o diretor de comunicações do governo, Alastair Campbell, de tais acusações. Campbell demandou, há alguns dias, uma desculpa formal por parte da BBC.
Blair defendeu Campbell, durante a entrevista ao Observer.
“Ele exerce suas funções com absoluta soberba, em um trabalho extremamente difícil”, afirmou o primeiro-ministro.
Diversas reportagens em jornais britânicos neste domingo trazem declarações sobre a polémica entre o governo e a BBC.
Em uma delas, o ex-jornalista da empresa, Ben Bradshaw, hoje ministro, afirma que a corporação enfrenta as “mais sérias acusações de sua história”.