Boas notícias para os iraquianos exilados no Reino Unido: eles já podem voltar para o seu país natal.
As coisas vão indo muito bem por aquelas terras. Não tem mais ditador, nem polícia secreta, nem tortura.
A falta de eletricidade e de água são detalhes menores de um cotidiano vivido em meio à extraordinária riqueza em petróleo.
Mas vamos trocar essas gordas libras esterlinas em miúdos dinares iraquianos.
O que há é o seguinte: o Reino Unido, há uns meses atrás, vivia um paradoxo digno da mente maldosa de um Oscar Wilde.
Enquanto o governo, através de todos os seus recursos, inclusive de dossiês hoje sendo examinados detidamente no Parlamento, procurava insuflar a opinião pública reiterando quase que todos os dias os malefícios do regime iraquiano, o ministério do Interior, que incorpora boa parte das atribuições jurídicas, recusava-se a conceder asilo político automático aos cidadãos iraquianos que se diziam perseguidos.
Todos tinham que passar por um longo processo de investigação e consideração.
Quando do início das hostilidades, ou seja, quando do bombardeio e da invasão do Iraque, o asilo político – qualquer pedido de asilo – chegou sequer a ser examinado.
O mundo gira e a Lusitana roda, dizíamos nós no Brasil repetindo um velho slogan popular.
Agora, o mesmo ministério do Interior anunciou que está aberto o caminho para a devida repatriação dos iraquianos que, anteriormente, conseguiram o cobiçado status de asilados políticos.
O retorno assistido é imediato, o retorno forçado fica para mais tarde um pouco.
Uma ministra-adjunta do ministério esclareceu a situação. Disse ela:
"Acreditamos que houve progresso real e progressivo na situação iraquiana, sendo que, agora, o país é um lugar seguro para muitos iraquianos."
A ministra nada disse sobre a segurança das forças americanas e britânicas.