Os líderes do Parlamento Europeu querem um pedido formal de desculpas do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, por ter usado a expressão "guarda nazista" quando se dirigia a um parlamentar alemão.
De acordo com o correspondente da BBC Stephen Sackur, se não receberem esse pedido de desculpas até as 14h30 no horário local (9h30 de Brasília) desta quinta-feira, eles vão avaliar se cortam relações com o Conselho Europeu, dirigido por Berlusconi.
O primeiro-ministro italiano provocou a confusão no Parlamento Europeu quando sugeriu que Martin Schulz, um parlamentar alemão que o criticara, seria perfeito para o papel de um guarda de um campo de concentração nazista em um filme.
A Alemanha apresentou um protesto formal, denunciando as afirmações como "inaceitáveis".
Reclamação
Poucas horas depois do incidente, o embaixador da Itália na Alemanha foi convocado ao gabinete do chanceler Gerhard Schröder para dar explicações.
Uma briga diplomática dessa natureza entre dois dos grandes países europeus é extraordinário, segundo o correspondente da BBC em Berlim, Chris Morris.
A polêmica ocorre no momento em que a Itália assume a presidência da União Européia por seis meses.
O fato de o embaixador italiano ter sido convocado pelo gabinete de Schröder e não pelo Ministério das Relações Exteriores, como é usual nesses casos, mostra que a reclamação veio realmente das altas escalas do governo alemão, segundo Morris.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália respondeu, convocando o embaixador alemão e condenando os comentários feitos por Schulz.
O líder italiano ofereceu um pedido parcial de desculpas, por meio de um assessor, depois de se recusar a fazer isso quando o presidente do Parlamento Europeu lhe pediu.
Críticas
A explosão de Berlusconi no primeiro dia dos seus seis meses na presidência da União Européia deu munição aos que acreditam que ele não é adequado para representar a Europa, de acordo com William Horsley, analista da BBC.
"Certamente, é muito difícil para o presidente de um governo de um país com a história da Itália, com Mussolini no passado, fazer ironia sobre vítimas de campos de concentração", disse Schulz à BBC.
"Sim, estou com raiva", acrescentou.
Berlusconi fez as observações quando estava apresentando seu programa para a presidência na UE.
Ele respondeu a Schulz depois que o parlamentar socialista alemão criticou a conduta profissional e pessoal dele.