A Itália assume a presidência rotativa da União Européia em meio a fortes críticas a seu primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e ao receio generalizado de que ele não seja a pessoa mais adequada para conduzir o continente.
O próprio jornal italiano Corriere della Sera disse que as preocupações expressadas por jornais e revistas de toda a Europa em relação a Berlusconi levantam dúvidas sobre as "qualidades morais" do premiê para assumir a tarefa.
A presidência italiana começou nesta terça-feira, apenas dias depois que um tribunal de Milão suspendeu o julgamento de Berlusconi por corrupção.
O julgamento só foi suspenso por causa da aprovação de uma lei polêmica que garantiu de última hora imunidade ao primeiro-ministro.
Corte Constitucional
A presidência italiana começou também apenas horas depois que o mesmo tribunal pediu que a Corte Constitucional do país analise o caso para tentar reverter essa lei.
Na segunda-feira, o executivo bilionário disse em entrevista à rádio francesa Europe 1 que a melhora das relações com os Estados Unidos está no coração das suas propostas para a Europa.
"O Ocidente precisa se unir", afirmou. Berlusconi disse ainda que a Europa deveria gastar com defesa, salientando que a União Européia usa apenas 1% de seu PIB em gastos militares, contra 4% dos americanos.
Entre as outras prioridades de Berlusconi estão: uma conferência intergovernamental sobre a Constituição européia em outubro; a promoção da paz no Oriente Médio, talvez com uma conferência de paz na Sicília; um "New Deal" para incentivar projetos de infra-estrutura na Europa financiados por títulos do Banco Europeu de Investimento; discussão de soluções para a imigração e para a Previdência.
Quando aparecer perante o Parlamento europeu, Berlusconi deve sofrer forte questionamento dos parlamentares em relação à sua imunidade.
O vice-líder dos governistas sociais-democratas no Parlamento alemão, Michael Müller, disse em uma declaração oficial que Berlusconi "destrói a independência do sistema judicial, adapta as leis para si mesmo, coloca seus interesses pessoais no mesmo nível dos interesses de Estado e controla a mídia".