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Milhares são detidos em manifestações no Irã

As forças de segurança do Irã prenderam cerca de 4 mil pessoas após as manifestações realizadas em junho contra o governo, de acordo com fontes oficiais.

O procurador-geral do Irã, aiatolá Abdolnabi Namazi, disse que 40% dos detidos foram libertados em seguida.

"Atualmente há 2 mil pessoas ainda na prisão. Não há muitos estudantes entre eles", afirmou Namazi.

Líderes

Os protestos, que começaram em 10 de junho, levaram a sérios confrontos entre estudantes e militantes leais ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Na capital iraniana, Teerã, principal foco dos protestos, 800 pessoas foram presas.

Entre os detidos estão Abdullah Momeni e Mahdi Aminzadeh, líderes da maior organização estudantil do país, o Escritório da Consolidação da Unidade.

Mais de uma semana depois de Aminzadeh ter sido retirado de seu carro e levado por quatro homens à paisana, sua família ainda desconhece seu paradeiro e as acusações que pesam contra ele.

O correspondente da BBC em Teerã, Jim Muir, disse que os líderes estudantis não participaram das manifestações de rua; a prisão deles provocou indignação nos círculos estudantis.

Os manifestantes criticaram o clero conservador e atacaram o presidente reformista Mohammad Khatami, que foi acusado de trair os anseios por mudanças.

Mais de 100 estudantes escreveram uma carta aberta ao presidente Khatami, pedindo que ele intervenha para impedir o que chamaram de "política de repressão".

Eles alegam que essa política será legitimada pela continuação dele no cargo.

Os estudantes, que apoiaram o movimento de reforma e ajudaram a eleger Khatami e dar maioria ao partido reformista no Parlamento, disseram que serão alienados do processo se seus pedidos forem ignorados.

Associações estudantis prometeram continuar com manifestações até nove de julho - data do quarto aniversário da invasão do dormitório estudantil pela polícia e grupos direitistas. Esse episódio levou a vários dias de graves distúrbios nas ruas.

O movimento estudantil queria realizar um ato público para marcar a ocasião, mas foi informado de que esse tipo de manifestação não será permitida.

Os protestos no Irã conquistaram não apenas o apoio dos círculos liberais do país, como também o do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o do primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

Mas os membros reformistas do governo iraniano se uniram aos conservadores na condenação veemente do apoio americano e britânico às manifestações.