Um grupo de influentes intelectuais iranianos publicou neste domingo uma carta aberta defendendo o direito de a população criticar os seus líderes.
Após cinco noites seguidas de protestos na região da Universidade de Teerã, os 248 signatários reformistas afirmaram que o povo "tem o direito de supervisionar totalmente a ação de seus governantes".
"Sentar-se ou fazer indíviduos se sentar numa posição de poder divino e absoluta é uma heresia perante Deus e um clara afronta à dignidade humana", diz a carta.
Enquanto isso, o presidente americano, George W Bush, afirmou achar as manifestações no Irã algo "positivo". Ao seu ver, o movimento é o início de uma luta popular rumo a um Irã livre.
Condenação
Tanto reformistas quanto conservadores do país condenaram as declarações de Bush. A chancelaria iraniana disse que Washington não tem o direito de interferir em assuntos domésticos iranianos.
Os Estados Unidos criticaram a violência de "vigilantes conservadores" – ligados ao poder religioso – contra estudantes universitários e pediram a proteção dos direitos dos manifestantes.
Há informações de que os protestos, antes restritos à capital Teerã, agora tenham se espalhado por outras cidades do Irã.
O líder supremo do país, o aiatolá Khamenei, alertou os manifestantes ao dizer que não teria misericórdia caso eles continuassem a protestar.
O presidente Mohammad Khatami, pró-reformas, segue uma linha política diferente dos religiosos que controlam o país, mas tem seu poder limitado porque não comanda as forças armadas.
Ele também é criticado pelos manifestantes de rua, que consideram que ele tem feito pouco demais para trazer mudanças verdadeiras ao país.