15 de junho, 2003 - 13h00 GMT (10h00 Brasília)
Milhares de manifestantes foram às ruas de Teerã, capital do Irã, pela quinta noite consecutiva neste sábado.
Mas o medo de repressão fez com que a maioria deles permanecessem dentro de seus carros. Há informações de que havia uma grande presença policial.
Os Estados Unidos criticaram a violência de "vigilantes conservadores" – ligados ao poder religioso – contra estudantes universitários e pediram a proteção dos direitos dos manifestantes.
O governo iraniano disse que o comunicado americano é uma "clara interferência" nos assuntos internos do país.
Prisões
Os Estados Unidos pediram que a voz do povo iraniano seja ouvida. Há informações de que os protestos agora tenham se espalhado por outras cidades do Irã.
O Irã informou no sábado ter prendido vários homens que agrediram estudantes em um alojamento universitário.
Pelo menos 50 estudantes, que pediam abertura do regime e menos interferência religiosa no comando do país, foram esfaqueados no sábado à noite.
O líder supremo do país, o aiatolá Khamenei, alertou os manifestantes ao dizer que não teria misericórdia caso eles continuassem a protestar.
As vítimas do ataque de sábado disseram que dezenas de homens armados entraram nos quartos. "De repente, nós ouvimos janelas se quebrarem", disse um estudante à agência de notícias Associated Press.
Identificação
De acordo com uma rádio da capital, Teerã, o Judiciário do país, considerado linha dura, disse que muitos dos agressores foram identificados e presos.
"A maioria dos que foram detidos são bandidos com ficha criminal", disse a rádio.
Entre os presos está Saed Asghar, um líder dos chamados "vigilantes" do regime, que atirou e feriu um dos principais homens do governo do presidente Mohammad Khatami em 2001.
Khatami, pró-reformas, segue uma linha política diferente dos religiosos que controlam o país, mas tem seu poder limitado porque não comanda as forças armadas.