'Matei minha irmã com um tiro por acidente'

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Sean Smith tinha apenas dez anos quando matou sua irmã com um tiro.

Foi um acidente. Mesmo assim, ele diz nunca ter conseguido tirar a imagem de sua cabeça.

O acidente teve um grande impacto em sua vida e na de sua família.

"Mesmo tendo acontecido 30 anos atrás, lembro como se fosse ontem", diz Sean à BBC.

Na noite anterior, houve um assalto no bairro. "A área ficou cheia de policiais, os cães latiam agitados", lembra Lee Smith, mãe de Sean.

O pai de Sean tirou a arma da gaveta e carregou-a. "Foi a arma do meu sogro ou da minha sogra, de alguns dos dois. Eles a ao meu marido para livrar-se dela", conta Lee.

Por volta das três da manhã, o pai foi dormir e deixou a arma carregada na gaveta.

No dia seguinte, Sean a encontrou.

O menino pegou a arma com a mão esquerda - ele é canhoto - e apontou para a janela. De acordo com Sean, Erin não queria entrar em apuros, se assustou e correu.

Infelizmente, a menina atravessou no momento em que Sean fez um disparo acidental. A bala atravessou o coração de Erin.

"A última imagem que tenho é da minha irmã morrendo no meu colo", diz Sean. "É uma imagem que definitivamente nunca vou apagar da minha cabeça."

A adolescência foi um período difícil para ele. As drogas entraram sua vida.

Mas tudo mudou quando ele descobriu que seria pai. "Tinha que ser responsável, não só por mim ... mas porque eu tinha responsabilidade sobre outra pessoa", diz ele.

Finalmente, deu entrada em uma clínica para dependentes químicos e iniciou um processo de recuperação.

Sean diz que reza todas as manhãs à procura de perdão e encontrou serenidade indo à praia de manhã cedo, quando há poucas pessoas.

"Tive o prazer de ver o sol nascer várias vezes e isso definitivamente me conectou com ela (minha irmã)", revela.

Nos Estados Unidos, cerca de 4,6 milhões de crianças vivem em casas onde há armas em locais não seguros.

Três em cada quatro sabem onde essas armas são guardadas.

Na mesma semana em que Sean matou sua irmã, duas crianças morreram e outras duas ficaram feridas em acidentes semelhantes na Flórida.

"As crianças sempre terão curiosidade em armas; por isso, tê-las em casa é incentivar essa curiosidade", diz Lee Smith, mãe de Sean.

"Aconteceu em um milésimo de segundo e muda a sua vida para sempre", conclui.

Reportagem / imagens: Hannah Long-Higgins e Angélica M Casas