Frente a frente pela primeira vez
- Author, Mariana Sanches
- Role, Da BBC News Brasil em Washington DC
Às 21h desta sexta-feira, quando a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump se posicionarem nos púlpitos do estúdio da rede de TV americana ABC News, na Filadélfia, será a primeira vez que os dois presidenciáveis se encontrarão pessoalmente.
Munidos apenas de papel, caneta e água, ambos protagonizarão um dos eventos mais aguardados das eleições de 2024, o segundodebatede TV da campanha. Considerando que o primeiro dos confrontos dinamitou a candidatura à reeleição do presidente Joe Biden, alguns analistas politicos já veem a atual temporada eleitoral como a mais impactada pelosdebates televisivos desde o pleito de 1960.
Aquela disputa, há 64 anos, entrou para a História não só por inaugurar o gênero do embate político televisivo nos EUA.
Foi o confronto diante das câmeras entre um jovial, sorridente e maquiado John F. Kennedy e o então experiente vice-presidente Richard Nixon - que se apresentou gripado, com a barba por fazer, e o olhar abaixo da linha da câmera -, que definiu a apertada corrida em favor do democrata.
"Por Deus, eu não entendi direito (o que estava em jogo) em 1960. Eu odiava fazer programas de televisão. E eu estava totalmente errado”, reconheceu Nixon, anos mais tarde, quando já era um consenso entre os republicanos que o despreparo dele para o confronto televisivo com Kennedy, cujo pai era um produtor de Hollywood, custou-lhes o pleito.
“É razoável dizer que esta é uma eleição comparável a de 1960 em importância dosdebates. Ali tivemos uma diferença de cem mil votos em favor do vencedor (Kennedy venceu por 112.827 votos). Agora, ninguém espera uma diferença maior do que algumas dezenas de milhares de votos, em uma situação já muito polarizada e com uma candidata entrando no jogo muito tarde, e em decorrência precisamwnte do mau desempenho do presidente atual em umdebate”, afirmou à BBC News Brasil Aaron Kall, diretor deDebates da Michigan University.