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Por que governador de Nova York declarou emergência de saúde por violência armada
Nova York se tornou o primeiro Estado dos Estados Unidos a declarar uma ordem de emergência para desastres com o objetivo de lidar com o aumento da violência armada.
No feriado de 4 de julho, o Estado registrou 51 tiroteios, informou o governador Andrew Cuomo ao assinar a ordem executiva que lhe dará mais flexibilidade administrativa para combater o problema.
A norma permite canalizar US$ 138,7 milhões (cerca de R$ 720 milhões) para programas de prevenção e intervenção contra a violência armada.
A medida de Cuomo surge em meio ao aumento do número de mortes por arma de fogo em todo país. Quase 200 assassinatos ocorreram no último fim de semana.
Em março, o FBI (a polícia federal americana) divulgou dados preliminares do ano de 2020 mostrando um aumento de 25% nos assassinatos em relação ao ano anterior. Não há informações detalhadas sobre Nova York, mas, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o Estado tinha a segunda menor taxa do país (o líder Alaska tem uma taxa seis vezes maior).
Os EUA atingiram o patamar de 6,22 homicídios por 100 mil habitantes, o maior desde 1998 (6,28). É a primeira vez que o país ultrapassa a marca de 20 mil assassinatos desde 1995. Mas os dados consolidados só devem ser divulgados pelo FBI em setembro deste ano.
A título de comparação, o Brasil registrou quase 44 mil assassinatos em 2020 (a primeira alta desde 2017) e uma taxa em torno de 20 mortes violentas a cada 100 mil habitantes (o triplo dos EUA).
A tendência de alta na violência nos EUA continua em 2021, e, como no Brasil, a maioria dos homicídios nos EUA está relacionada a armas de fogo.
Ainda não estão claras as razões para o avanço da violência em território americano, mas especialistas apontam hipóteses não excludentes entre si, como o aumento do desemprego, a suspensão durante a pandemia de atividades cotidianas que afastam pessoas da violência (como fechamento de escolas e opções de lazer) e a contestação à legitimidade e à autoridade das forças policiais (na esteira do assassinato de George Floyd, um homem negro, por um policial branco).
Diante disso, o presidente americano, Joe Biden, divulgou no final de junho a nova estratégia da Casa Branca para combater o aumento dos homicídios com foco na ampliação do combate ao tráfico de armas de fogo e dos gastos com policiamento.
No caso de Nova York, o plano estadual prevê a criação de um escritório de prevenção de violência armada, a ser supervisionado pelo departamento de saúde, a exigência que os departamentos de polícia forneçam dados do nível de incidência dos tiroteios, o combate à entrada de armas de fogo oriundas de outros Estados e o investimento de US$ 57 milhões em programas de empregos temporários para jovens em situação de vulnerabilidade.
A ordem executiva de declaração de desastre, assinada pelo governador Cuomo, descreve a violência armada como uma crise de saúde pública, o que o levou a fazer várias comparações com a pandemia de covid-19 e a resposta de saúde pública adotada.
"Se você olhar os números recentes, verá que mais pessoas estão morrendo por causa da violência armada e do crime do que por covid", disse o governador do Partido Democrata (o mesmo de Biden).
"Assim como no caso da covid, Nova York vai liderar o país mais uma vez com uma abordagem abrangente para combater e prevenir a violência armada."
Enquanto Nova York emergia como o epicentro do surto de coronavírus em 2020, Cuomo foi amplamente elogiado pela imprensa americana pela forma com que lidou com a pandemia.
Mas atualmente ele tem enfrentado acusações de acobertamento da gravidade da crise desde que seu gabinete subestimou milhares de mortes por covid-19 entre os residentes de asilos de idosos, ao permitir que essas instalações recebessem pacientes com coronavírus.
O escrutínio de que Cuomo é alvo se agravou após o surgimento de diversas acusações de má conduta sexual, incluindo as de atuais e ex-funcionários do Estado. O governador nega ter cometido crimes.
Esse contexto tem levado a danos eleitorais para Cuomo. Uma pesquisa recente do Siena College apontou que apenas um terço dos eleitores no Estado de maioria democrata gostariam que Cuomo concorresse à reeleição. Além disso, quase um quarto dos entrevistados disse que o governador deveria renunciar ao cargo imediatamente.
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