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Eleição nos EUA: os pontos para prestar atenção na noite da votação
Nesta terça-feira 3 de novembro, os Estados Unidos vão às urnas para encaminhar o republicano Donald Trump ou o democrata Joe Biden à Casa Branca.
Esses votos presenciais se somam a outros encaminhados por correio, uma alternativa que ganhou maior adesão neste ano em meio à pandemia de coronavírus.
Com tantas mudanças e particularidades da eleição nos Estados Unidos, aqui vai um guia dos principais pontos a se acompanhar neste momento-chave da política americana — e com impacto mundial.
Para começar, algumas informações essenciais:
*Para se tornar presidente dos EUA, não é preciso realmente ganhar no voto popular. Em vez disso, os candidatos devem conquistar a maioria dos delegados do Colégio Eleitoral (entenda melhor abaixo).
*Houve um acréscimo de milhões de americanos votando pelo correio na comparação com eleições anteriores. A contagem deste tipo de voto pode levar mais tempo, e alguns Estados só começarão a fazer isso no próprio dia da eleição. Portanto, quase certamente haverá demora na divulgação de alguns resultados.
*E por conta desse aumento sem precedentes de votos por correspondência, um candidato que aparecer na frente no início pode acabar sendo ultrapassado conforme são apurados os votos por correio ou presenciais. Portanto, cuidado em cantar vitória cedo.
Alguns termos importantes:
*Bellwether state ("Estado-guia"): Lugares como Ohio e Missouri, onde os eleitores provaram ser fiéis a certos partidos em várias eleições.
*Colégio Eleitoral: cada Estado tem um número de delegados proporcional à sua população. Quem levar o maior número de votos no Estado, leva os delegados. Como há 538 delegados, quem tiver 270 votos ganha a eleição.
*Swing state ("Estado-pêndulo"): São os Estados em que não há uma tendência clara em apoiar um determinado partido; tanto pode dar um como o outro.
*Estados vermelhos e azuis: Tendem a votar em um determinado partido — vermelho simbolizando os republicanos e azul, os democratas.
Como saber quem está ganhando?
O grande volume de votos por correspondência esse ano tornará difícil prever logo no início quem vai ganhar.
Estados diferentes têm regras diferentes sobre como — e quando — contar os votos por correspondência, o que significa que haverá grandes intervalos de tempo entre seus resultados.
Alguns Estados, como Flórida e Arizona, começam a processar cédulas semanas antes de 3 de novembro. Outros, como Wisconsin e Pensilvânia, só colocarão a mão na massa no próprio dia de eleição, então a contagem provavelmente será mais lenta.
Para aumentar a confusão, os Estados diferem em seus prazos de aceitação das cédulas por correio. Alguns, como a Geórgia, só vão considerar as cédulas recebidas em ou antes de 3 de novembro, enquanto outros, como Ohio, contarão as cédulas atrasadas, desde que postadas até 3 de novembro.
Assim, é quase impossível saber quando teremos os resultados completos.
Não foi o que aconteceu nas eleições anteriores, quando você normalmente conseguia se programar para acompanhar os resultados a partir das 23h EST (1h da manhã em Brasília), depois do fechamento das urnas na costa oeste. Em 2008, os resultados chegaram neeste horário; em 2012, 15 minutos depois.
Na eleição de 2016, no entanto, foi apenas quando Donald Trump conquistou a Pensilvânia,, às 01h35 EST que sua vitória sobre Hillary Clinton foi dada como certa.
Entretanto, pode ser que nos Estados a comunicarem primeiro os votos por correspondência haja vantagem para Biden, já que neste ano houve uma propensão dos democratas votarem nesta modalidade. Já aqueles que revelarem primeiro os votos presenciais podem ter uma tendência pró-Trump, cujos eleitores devem ter maior participação na ida às urnas.
Preocupações com atrasos nos correios e fraudes
Dezenas de milhões de votos por correspondência serão lançados na eleição deste ano, talvez o dobro do que em 2016.
Ao longo da corrida eleitoral, muitos expressaram a preocupação de que o grande volume de cédulas enviadas sobrecarregasse os serviços postais do país, atrasando o trabalho de funcionários em diferentes Estados — mas o serviço postal do país garantiu que isso não aconteceria.
Os votos por correspondência, entretanto, demoram mais para serem contados do que as cédulas depositadas presencialmente. As cédulas enviadas por correio devem ser removidas manualmente de seus envelopes e verificadas como válidas antes de serem tabuladas.
Há ainda uma preocupação crescente com fraudes eleitorais — acusação recorrente na campanha de Trump.
É importante ressaltar, porém, que casos de fraude são incrivelmente raros e não há evidências de que as cédulas por correspondência sejam especialmente suscetíveis. No geral, a taxa de fraude eleitoral nos Estados Unidos está entre 0,00004% e 0,0009%, de acordo com um estudo de 2017 do instituto Brennan Center for Justice.
Estados para ficar de olho
Sabemos que os resultados finais demorarão a sair, mas ainda existem alguns Estados que podem dar pistas iniciais.
As urnas na Carolina do Norte serão encerradas às 19h30 EST (21h30 em Brasília), onde o grande volume esperado de eleitores presenciais deve levar a resultados mais rápidos. Em 2016, Donald Trump teve uma vitória apertada neste Estado.
Em seguida, às 20h EST (22h em Brasília), a votação será encerrada na Flórida. Este Estado definiu vitórias e derrotas em outras eleições, o que poderá se repetir este ano. Uma nota de cautela: cédulas postais e votos antecipados (modalidade permitida nos EUA, desde que o eleitor justifique o motivo pelo qual não poderá comparecer no dia da eleição) devem ser processados primeiro, provavelmente favorecendo Biden.
E às 21h (23h em Brasília), as pesquisas serão encerradas no Arizona, onde os funcionários começaram a contagem dos votos em 20 de outubro. Trump saiu vitorioso lá em 2016, mas as pesquisas eleitorais de agora dão a Biden uma vantagem estreita. No Arizona, como na Flórida, as contagens iniciais podem favorecer Biden, cujos apoiadores estão mais inclinados a votar antecipadamente ou pelo correio.
Em vários outros Estados, as autoridades não contarão uma única cédula até 3 de novembro — o que inclui vários lugares decisivos.
Em Ohio, as pesquisas serão encerradas às 19h30 EST (21h30 em Brasília). As autoridades do Estado divulgarão resultados parciais no dia da eleição, mas nenhuma outra contagem será divulgada até que a contagem final seja certificada, o que deve ser feito até 28 de novembro. Ohio não é apenas um Estado-pêndulo, mas também quase um vidente: que venceu ali, venceu também a disputa presidencial em todas as eleições, com exceção da primeira, desde a Segunda Guerra Mundial.
As urnas na Pensilvânia serão encerradas às 20h (22h em Brasília). Os caminhos de ambos os candidatos passam por este Estado disputado, onde Biden nasceu e Trump venceu em 2016 por um único ponto percentual.
Já em Wisconsin e Michigan, as urnas serão fechadas às 21h EST (23h em Brasília). Os democratas têm trabalhado arduamente em Wisconsin após a estreita derrota de Hillary Clinton ali em 2016. Algumas pesquisas agora dão a Biden a liderança, mas o Estado ainda está em disputa. O vizinho Michigan também é considerado decisivo e sem sinais evidentes de um favorito.
Outras eleições
Biden e Trump não são os únicos candidatos com futuro político em jogo neste dia 3.
Tanto os democratas quanto republicanos estarão muito atentos aos votos para o Senado — onde os republicanos têm hoje uma vantagem de três assentos.
Lindsay Graham, aliada de Trump, enfrenta uma dura disputa na Carolina do Sul com o democrata Jaime Harrison. Graham ocupa esta cadeira desde 2003, mas afastou alguns eleitores com sua lealdade ao presidente.
No Maine, a republicana Susan Collins pode em breve perder seu posto. Ela é uma das poucas moderadas em seu partido atualmente, mas também pode ser rejeitada por sua filiação ao presidente em um Estado onde ele é profundamente impopular.
E isso não é tudo. Os americanos também irão votar sobre mais de 100 pautas locais — na Califórnia, por exemplo, um referendo está tentando derrubar uma lei que elimina totalmente a possibilidade de fiança em dinheiro, substituída por uma avaliação de riscos feita antes do julgamento.
A maconha será pauta na urnas do Arizona, Montana, Nova Jersey e Dakota do Sul, onde ela poderá ser legalizada para fins recreativos. Já no Mississippi, os eleitores podem aprovar ou rejeitar a maconha para fins medicinais.
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