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Prédio desaba em Miami: 'Vi pessoas nas varandas pedindo ajuda com lanterna do celular', diz brasileiro
- Author, Cecilia Barría
- Role, BBC News Mundo
- Published
- Tempo de leitura: 3 min
"Aconteceu por volta das 2h da manhã. Acordamos com uma onda sonora que açoitou as janelas e saímos para ver o que estava acontecendo", conta Juan Esteban Triana, um jovem brasileiro criado na Colômbia que mora perto do prédio residencial que desabou na quinta-feira (24/06), em Surfside, ao norte de Miami Beach, nos EUA.
Dezenas de pessoas que moravam no edifício de 12 andares continuam desaparecidas, e seus familiares tentam desesperadamente encontrá-las.
"Sentimos como se fosse um tremor, e dois minutos depois vimos ambulâncias e socorristas passando. A área ficou bloqueada. Com minha família, a primeira coisa que fizemos foi sair para a rua e vimos pessoas nas varandas pedindo ajuda e acendendo as lanternas de seus celulares", diz ele à BBC News Mundo, serviço de notícias da BBC em espanhol.
"Estavam gritando desesperadamente. Tentamos ajudá-las, mas não nos deixaram passar. Foi muito frustrante porque estávamos na frente de pessoas que pediam ajuda e não podíamos fazer nada. É muito triste."
"A única coisa que pudemos fazer foi oferecer a casa para dar comida ou para que os policiais pudessem usar o banheiro. Vimos drones e helicópteros. É muito forte, fico muito frustrado de ver gente pedindo ajuda e não poder fazer nada além de olhar ".
Uma impotência compartilhada pelos demais vizinhos que saíram às ruas na quinta-feira para contemplar o horror da tragédia diante de suas casas.
Pessoas que caminhavam pela área, algumas delas turistas, gravaram com seus celulares a imagem impactante do prédio destruído à beira-mar.
Uma mulher que carregava uma mala chorava e gritava enquanto caía de joelhos no chão. Rapidamente a levaram para um centro comunitário localizado a alguns quarteirões do local da tragédia, onde estavam reunindo as famílias.
Chegavam ambulâncias, caminhões do Corpo de Bombeiros e equipes de resgate, uma após a outra, para reforçar o trabalho das equipes que estavam no local desde as primeiras horas da madrugada.
Um dos socorristas que participava da operação disse à BBC News Mundo que a prioridade de seu trabalho era procurar sobreviventes nos escombros.
Chovia copiosamente, como costuma acontecer nesta época do ano em Miami. Na praia, havia algumas pessoas observando atônitas o estado em que o edifício ficou, enquanto equipes de televisão transmitiam as imagens ao vivo para canais de todo o mundo.
Da areia, a vista era desoladora. E embora a polícia tenha isolado a área mais próxima ao prédio, localizado na Avenida Collins 8777, o desmoronamento podia ser visto de qualquer lugar.
De algumas das varandas pendiam restos de móveis e escombros, prestes a cair do edifício. Era como estar diante de uma cena de destruição após um terremoto.
A causa do desabamento do prédio, que faz parte do complexo residencial Champlain Towers, construído há 40 anos, ainda é desconhecida.
Tampouco há respostas para quem ainda não conseguiu descobrir o paradeiro de seus entes queridos, muitos deles latino-americanos que estavam de férias ou moravam no prédio.
Dezenas de pessoas resgatadas foram levadas para hospitais da região, algumas delas em estado grave. É por isso que alguns parentes de desaparecidos têm a esperança de que seus familiares sejam encontrados em algum dos centros de saúde.
Ou que estejam com vida e consigam ser resgatados dos escombros.
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